Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte I

Eu poderia começar o texto falando da personagem de Viola Davis em How To Get Away With Murderer ou com a personagem de Kerry Washington em Scandal, mas acho que não fomos acostumadas a ver empoderamento em meio ao machismo, então decidi escolher mulheres fortes em séries que todos conhecemos. Ou quase.

Escolhi 10 personagens mulheres que nos mostram que empoderamento não é só ter seu nome em primeira mão.

Aliás, o texto pode definitivamente conter spoilers.

10 – Jane Villanueva (Jane, The Virgin)

Ok, nesse caso, ela tem o nome em primeira mão. 23 anos, noiva de Michael Cordeiro há 2.  Jane é fã de telenovelas e mora com a mãe, Xiumara, e com a avó, Alba. No começo, Jane não conhece o pai e, como diz o título, sim, ela é virgem.  Jane acidentalmente engravida através de uma inseminação artificial e decide manter a gravidez.

“- Michael, o que você está fazendo?

– Pedindo em casamento

– Eu estou grávida.

– O_O”

Como se a bagunça não fosse suficiente, o esperma do doador é de Rafael Solano, dono do hotel que ela trabalha e, 4 anos atrás, houve uma leve faísca entre eles.

“- Eu trabalhei no Clube Golden Harbor. É de lá que nos conhecemos.

– Isso!”

Ah! E hoje Rafael é casado com Petra, que quer um filho mais do que tudo.

O empoderamento? Jane engravida – mas não engravida – de um homem rico, renomeado e casado. Ela continua trabalhando, estudando e vivendo. Jane não abre mão da sua vida por ver uma oportunidade de diminuir o ritmo e, muito menos, desiste do seu noivado. Algumas vezes se dar o direito de dizer não também é ser forte.

9 – Calliope Torres ( Grey’s Anatomy)

Dando um breve resumo de Grey’s: a história começa com Meredith e mais 4 colegas (George, Izzie, Alex e Cristina) trabalhando como internos, sonhando com cirurgias de 18 horas e plantão de 3 dias. Após duas temporadas e meia, chega a deusa da ortopedia: Callie Torres.

“O coração dispara/ Tropeça, quase pára…”

Callie cheira empoderamento. A personagem é uma daquelas histórias que a gente não acredita que o personagem sobreviveu. Callie (SPOILER!) casa com George e, logo em seguida, é traída (ele pega a Izzie. Sério). No primeiro momento ela tenta perdoar, mas não é algo que parece muito possível, então vem a separação. Um tempo depois ela se envolve com uma mulher que simplesmente a abandona, do dia para a noite. Em meio as bebedeiras de ter sido traída por um homem e abandonada por uma mulher, ela se apaixona por uma pediatra. O pai de Callie tentar levá-la de volta para casa e chama um padre para exorcizá-la (uma das cenas mais fortes desse atrito que se forma):

“ – Você acha que pode exorcizar a parte gay. Você não pode exorcizar a parte gay!”

A bissexualidade da Callie e a força com que ela abraça isso é a maior prova de amor próprio que eu já vi, fora essa fé na vida que, olha, que mulher, hein. Continuando…

8 – Olivia Benson (Law and Order – Special Victims Unit)

Law and Order – Special Victmis Unit é uma unidade especial que investiga crimes relacionados a mulheres e crianças. É uma série relativamente forte onde Olivia é uma detetive e tem um passado não muito bom de se lembrar, incluindo abuso sexual.

Olivia é, basicamente, um exemplo. O fato de só descobrirmos sobre seu passado não o deixa mais fácil de ser absorvido. Ela luta e faz o possível para prender homens que fizeram com outras mulheres exatamente aquilo que foi feito com ela. Se lutar de frente contra suas piores lembranças para salvar outras mulheres não for poder, então algo de errado não está certo.

7  – Lilly Rush (Cold Case)

Arquivo Morto é uma séria policial que investiga crimes antigos. Antigos tanto no sentido de 10 anos atrás quanto no começo do século passado. É uma daquelas séries que você consegue assistir uns episódios aleatórios que está tudo bem, mas a história de vida da detetive Rush merece uma atenção especial.

Rush mal fala da família e, em alguns episódios, onde a irmã aparece, a tensão é eminente. É aquela personagem fechada que quase nunca solta algo sobre a vida pessoal, sabe, mas que, quando solta, ficamos de boca aberta por 6 dias. E, como se não fosse suficiente, ela é a única mulher da equipe de detetives, com um passado muito bem escondido. Todo o tempo ela é testada por suspeitos com piadas machista e comentários desnecessários sobre sua aparência mas, claro, ela não se entrega e mostra que ela não está ali por ser mulher. Ela está ali por ser a melhor naquilo que faz.

 

6 – Cristina D-E-U-S-A Yang (Grey’s Anatomy)

Sim, Cristina. Uma das internas que começam a trabalhar no mesmo dia que Meredith.

“Se não tem comida, eu vou embora.”

Quem nunca, né.

Yang começa um relacionamento com seu chefe, Preston Burke, cirurgião cardíaco, que é exatamente a área onde ela mais ama, mas Burke queria casar. Bom, (OUTRO SPOILER), ela cedeu, mas (MAIS UM SPOILER) o casamento não aconteceu, pois (S-P-O-I-L-E-R) Burke desistiu de última hora, quando ele já estava no altar, dizendo que se ele realmente a amasse, ele não a faria passar por aquilo.

Faço questão de mostrar uma das minhas cenas favoritas (depois que Burke foi embora) :

 

Ela perde o marido, que nem chegou a ser marido, e deu a volta por cima. Colocou a cabeça no lugar e se tornou uma das melhores cirurgiãs cardíacas do mundo, criando procedimentos e cirurgias revolucionárias.

5 – Charlotte King (Private Practice)

Private Practice é uma história que anda junto com Grey’s Anatomy, começando quando Addison Montgomery deixa Seattle (cidade que se passa Grey’s Anatomy) atrás de um recomeço. Ela encontra esse recomeço em uma clínica particular. A clínica tem convênio com o hospital St. Ambrose. Sabe quem manda no St. Ambrose? Exatamente.

 

Charlotte é um demônio, mas é um demônio que você ama de paixão. Ela é a mais odiada no começo, por ser totalmente casca grossa e antipática, mas isso passa quando a história se desenrola. Ela passa por (PERIGO – SPOILER) perdas na família, acidentes com os médicos e, principalmente, ( FOGE QUE DÁ TEMPO) um abuso durante a série. A força de querer continuar é invejável e admiração é inevitável. Sua luta para associar sua vida junto com a mente no lugar nos faz ser fortes também, sabe. Ver uma mulher querendo ser melhor nos ajuda a sermos melhores também.

Curiosa para saber quem são as 4 mulheres empoderadas escondidas por trás de séries comuns? Volta aqui semana que vem que eu conto!