O rock’n’roll é filho de mãe – e ela é negra!

Sabe essa história que o pai do rock é aquele homem que nasceu nos anos 30, estourou nos anos 50, com um baita topete, toda aquela malemolência e jogatina nas pernas? Então. Pasmem, mas quem criou o rock foi uma mulher.

Apresento-lhes Irmã Rosetta!

Rosetta Nubin nasceu em Cotton Plant, na cidade de Arkansas, nos EUA, em 1915. Aos 4 anos, Rosetta já se apresentava acompanhando sua mãe em igrejas pelo sul do país. Quando a família se mudou para Chicago, no final da década de 20, ela tocava blues e jazz as escondidas, mas apresentava música gospel publicamente. Alguns anos depois, ela se casa com o pastor Thomas Thorpe, virando assim Rosetta Tharpe graças a um erro de ortografia.

Convenhamos, não deve ter sido fácil você se apaixonar por um estilo de música e ter que tocar outro. Até que ela uniu os dois!

Blues e Jazz tem características próprias, que nada tem a ver com as letras em si, mas é impossível negar o descontentamento de frequentadores da igreja quando, em 1938, ela gravou seu primeiro disco, pela gravadora Decca Records. A divisão entre os que a odiaram e os que a amaram era evidente. Alguns criticavam o fato dela unir duas coisas tão distintas em uma só (no caso, a música sacra com outros ritmos) enquanto outros se apaixonaram pela mistura.

Outro fato inegável é que o que tornou Irmã Rosetta no que é hoje foi exatamente essa mistura junto com, claro, uma guitarra SG pendurada no pescoço. Existem relatos de pessoas que conviveram com Rosetta dizendo que ninguém, até então, dominava uma guitarra como ela. Ela se tornou inspiração para nomes fortes como Elvis Presley e Johnny Cash.

Continuando…

Rosetta continuou gravando inclusive durante a segunda guerra mundial, onde exibe toda sua virtuosidade como guitarrista. Na música “Strange Things Happening Every Day”, gravada em 1944, seu sucesso foi tanto que essa foi a primeira música gospel a entrar para o top 10 da Billboard. Foi também considerada por algumas fontes como a primeira gravação de uma música de rock’n’roll. A passagem dos anos levou Irmã Rosetta para uma montanha russa. Divorciou e se casou mais duas vezes, se casando pela última vez em 1951. Quando se dedicou ao blues, sua popularidade diminuiu, mas ainda assim fez uma turnê pelo Reino Unido junto com outros músicos.

Em 1970, Rosetta sofreu um derrame e teve de amputar a perna graças a uma complicação de diabetes. Infelizmente, 3 anos depois, após outro derrame, ela faleceu, nos deixando com 6 álbuns gravados em estúdio: Gospel Train, Up Above My Head, Precious Memories, Didn’t It Rain, Rock Me e This Train.

 

Como pode não existir um filme sobre Sister Rosetta? Pensando com os meus botões e com as palhetas espalhadas pelo chão, em poucos minutos, eu consigo me lembrar de “Johnny & June”, que conta a história de Johnny Cash; e “Elvis and Me”, que conta a vida de Elvis Presley. A representatividade de Rosetta Nubin para mulheres instrumentistas com aquele pé no rock não podia ser maior, mesmo isso não sendo tão mostrado quanto os homens do mesmo período.  É como uma luz no fim do túnel.

Só consigo comparar com a sensação de pintar o cabelo de vermelho e sorrir após um único comentário: “Seu cabelo está parecendo o da Rita Lee.”

Sister Rosetta, obrigada por ter existido. Mulheres do rock, como eu, agradecemos.

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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