Leia Mulheres e os Clubes de Leituras

Texto da nossa colaboradora Luana Krüger, Mestranda em Literatura pela UFPel.

Esse ano, iniciei um projeto pessoal, mas antes, explico: sou estudante de Letras e durante quatro anos de graduação, e alguns anos de vida, dedico parte do meu tempo e dos meus estudos à leitura de obras literárias. Até aí, ok. Não! Conheci obras muito boas, mas não conheci mulheres escrevendo. Li livros sobre mulheres, escrito por homens. Isso me chocou, me desassossegou.

Para isso, 2017 iniciou de um jeito diferente: Esse ano só leio mulheres. Quero poder falar sobre isso, mostrar isso para os outros e ajudar a mostrar as mulheres que escrevem e que ainda são marginalizadas justamente por serem mulheres. Logo em seguida, surgiu um problema: que mulheres escritoras eu conheço? Confesso, eram poucas. Eu não sabia por onde começar e foi aí que pesquisando conheci o Clube do Garimpo, que tem um dos clubes intitulado Leia Mulheres. <3

A ideia é simples, basta assinar o clube e mensalmente recebemos um livro escolhido pelas curadoras. Mas, espera um pouquinho, eu já falo dele. Antes disso, vamos falar do Leia Mulheres.

O #leiamulheres começou faz um tempinho já, mais exatamente em 2014 com a escritora  Joanna Walsh que lançou a hashtag #readwomen2014. O objetivo, como já se pode imaginar, era ler mais essa mulherada que produz um montão, mas que é esquecida.

Mas ué, tem um monte de livro da Clarisse Lispector! E… Sim, eu sei que há muitas pessoas que conhecem muito mais, mas tem mais outro montão de gente que não. No curso de Letras, por exemplo, tive contato com pouquíssimas mulheres. Conto nos dedos – Clarisse, Cecília Meirelles, Atwood, Angélica Freitas, não fechou uma mão! Acontece que se dentro do ambiente acadêmico isso ainda é deixado de lado, imagina na vida!

Enquanto nós temos que demonstrar interesse e correr atrás dessas produções, os homens ocupam as prateleiras das livrarias e a lista de obras de leitura obrigatória nas escolas. Ah! Mas aí é só procurar e ler! Gente, não é assim tão simples! E é nosso dever mostrar essa literatura e dividir o que aprendemos.

É nosso dever questionar porque as mulheres são tão apagadas – isso está para além das questões de produção literária, isso é um reflexo social e triste.

As meninas do #leiamulheres estão ganhando esse Brasil com clubes de leitura em várias cidades do país. Iniciativa muito importante! Se tu entrares no site, encontrarás resenhas, os clubes que existem, entre outras coisas. Entra lá, agorinha! Não deixa pra depois!

Aí, chegou o Garimpo Clube do Livro nesse esquema, não sei como exatamente, mas as meninas estão lá, escolhendo livros e enviando para leitores interessados. O Garimpo tem outros clubes também, de poesia, ficção, literatura infantil e humor e amor. Cada um atende um grupo específico de leitores. Todos indicados por uma galera que entende do que está fazendo.

E o que eu estou fazendo aqui? Eu vou falar sobre os livros que eu recebo mensalmente – assim, bem tranquilo, tentando deixar vocês com vontade de ler o que eu li. Pode ser?

Para saber mais sobre as meninas e a proposta vale a pena entrar nesses links: http://www.garimpoclube.com.br/ e https://leiamulheres.com.br/

Jade

Jade Arbo, 24, feminazi esquerdopata louca da problematização (mentira, sou pós-moderna cirandeira, mas vai ter crítica sim). Estudante de Bacharelado em Letras, interessada em feminismo, filosofia, história e o gênero dos anjos.

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