Jornalista cultural escreve sobre literatura contemporânea

Livros por Lívia: jornalista escreve sobre suas leituras

No ar há quatro anos, blog reúne resenhas de autores contemporâneos

www.livrosporlivia.com

 

     Baiana de Salvador, Lívia Corbellari reside no Espírito Santo desde os sete anos de idade – Vitória é sua cidade natal do coração. Aos 27, a jornalista cultural mantém uma profunda relação com a literatura desde suas primeiras leituras. “Me encanta muito conhecer outras histórias. A leitura sempre me ajudou a lidar com meus próprios problemas”, lembra.

Suas resenhas literárias deram vida ao Livros por Lívia, blog que reúne reportagens e resenhas de autores contemporâneos. Hoje com quatro anos de funcionamento, o endereço é referência na divulgação de obras capixabas, sendo ponte também de outros projetos, a exemplo do Cachaçada Literária, evento propõe aproximar o público leitor dos escritores de forma descontraída – com sarau, apresentações musicais e drinks especiais. Nessa simples entrevista para coluna Ideia D´elas, Lívia Corbellari fala sobre a trajetória do blog, literatura feminina e o mercado de editoras independentes.

“Finalmente estamos tendo voz”

Lívia Corbellari

ANA: O Livros por Lívia¸ até onde sei, começou com o objetivo de publicar resenhas de obras capixabas. Como foi o desenrolar desse objetivo?

LÍVIA CORBELLARI: Na verdade, no começo era muito mais amplo. Eu resenhava tudo que eu lia, livros capixabas, de outros estados, de outros países. Em 2013, eu trabalhava como jornalista cultural no Século Diário [jornal online de Vitória] e recebia muitos livros de diversas editoras. Fui percebendo que quando resenhava um livro daqui, o retorno era muito mais legal, o autor vinha falar comigo e muitas pessoas iam atrás do livro porque não sabiam que tinha literatura de qualidade sendo produzida aqui.

O Livros por Lívia nasceu como um portfólio desses textos que eu escrevia para o jornal e aos poucos foi ganhando vida própria. Foi nesse momento que resolvi focar nos autores daqui. Depois o blog foi desenvolvendo outros trabalhos envolvendo autores capixabas, como produção de eventos, lançamentos de livros, assessoria para escritores e o próprio Cachaçada Literária.

ANA: Escrever sobre literatura requer um conhecimento aprofundado, mais sensível às palavras e leitura. Quando e como se deu sua relação com a literatura?

LÍVIA: De fato, a leitura quando você vai escrever sobre a obra é diferente. Às vezes, leio duas vezes. A primeira só para me divertir mesmo e a segunda para escrever, onde separo trechos interessantes, faço observações, busco referências. Sobre a minha relação com a literatura, não lembro bem quando começou. Acho que desde que aprendi a ler, eu estou lendo rsrsrs. Claro que essa relação foi mudando com o tempo. Acho que me encanta muito conhecer outras histórias, a leitura sempre me ajudou a lidar com meus próprios problemas.

ANA: Para a produção das resenhas literárias, quais critérios você utiliza para escolher a obra a ser resenhada e como esta análise é feita?

LÍVIA: Meu critério é muito subjetivo. Eu leio de tudo, mas acabo resenhando só o que eu gosto. Ainda não consigo escrever textos negativos sobre os livros, quando não gosto, prefiro não escrever. Eu faço críticas e aponto as questões que não gostei, mas não me sinto uma crítica literária porque me falta estudo, acaba sendo algo intuitivo mesmo. Minhas resenhas são sobre o que senti lendo o livro, elas quase beiram a crônicas.

Escritoras capixabas: Cora Made

ANA: Como você avalia o mercado editorial e a produção literária capixaba?

LÍVIA: A literatura produzida aqui é muito diversa, temos romances policiais, contos longos, contos curtos, poesia de diversos estilos e temos escritores e escritoras produzindo em igualdade e muitos escritores das idades mais variadas. A literatura tem se voltado cada vez mais para mercados pequenos e de nicho e aqui no estado temos esse mercado bem dinâmico também.

ANA: Em Vitória, temos um crescimento visível de escritoras e poetas. Mulheres escrevendo sobre mulheres. Qual a importância desse novo movimento da literatura feminina para nossa cidade?

LÍVIA: Esse movimento é muito importante e é incrível. Vejo as meninas se movimento em todas as áreas e não só na literatura, finalmente estamos tendo voz. Claro que o caminho ainda é muito logo, mas estamos dando um primeiro passo para as novas gerações terem muito mais espaço do que nós tivemos.

ANA: Quais obras de escritoras que te marcaram você recomenda?

LÍVIA: A teus pés, de Ana Cristina Cesar; Um útero é do tamanho de um punho, de Angelica Freitas; Amora, de Natalia Borges; Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi; Afazeres domestico, de Lilian Aquino.

ANA: E escritoras capixabas?

LÍVIA: Aline dias, Isabella Mariano, Fabíola Colares, Sarah Vervloet, Cora Made, Benadette Lyra e Ingrid Carrafa.

Acompanhe as resenhas e os projetos divulgados pelo blog

Site: www.livrosporlivia.com

Facebook: @livrosporlivia

Leia Mulheres e os Clubes de Leituras

Texto da nossa colaboradora Luana Krüger, Mestranda em Literatura pela UFPel.

Esse ano, iniciei um projeto pessoal, mas antes, explico: sou estudante de Letras e durante quatro anos de graduação, e alguns anos de vida, dedico parte do meu tempo e dos meus estudos à leitura de obras literárias. Até aí, ok. Não! Conheci obras muito boas, mas não conheci mulheres escrevendo. Li livros sobre mulheres, escrito por homens. Isso me chocou, me desassossegou.

Para isso, 2017 iniciou de um jeito diferente: Esse ano só leio mulheres. Quero poder falar sobre isso, mostrar isso para os outros e ajudar a mostrar as mulheres que escrevem e que ainda são marginalizadas justamente por serem mulheres. Logo em seguida, surgiu um problema: que mulheres escritoras eu conheço? Confesso, eram poucas. Eu não sabia por onde começar e foi aí que pesquisando conheci o Clube do Garimpo, que tem um dos clubes intitulado Leia Mulheres. <3

A ideia é simples, basta assinar o clube e mensalmente recebemos um livro escolhido pelas curadoras. Mas, espera um pouquinho, eu já falo dele. Antes disso, vamos falar do Leia Mulheres.

O #leiamulheres começou faz um tempinho já, mais exatamente em 2014 com a escritora  Joanna Walsh que lançou a hashtag #readwomen2014. O objetivo, como já se pode imaginar, era ler mais essa mulherada que produz um montão, mas que é esquecida.

Mas ué, tem um monte de livro da Clarisse Lispector! E… Sim, eu sei que há muitas pessoas que conhecem muito mais, mas tem mais outro montão de gente que não. No curso de Letras, por exemplo, tive contato com pouquíssimas mulheres. Conto nos dedos – Clarisse, Cecília Meirelles, Atwood, Angélica Freitas, não fechou uma mão! Acontece que se dentro do ambiente acadêmico isso ainda é deixado de lado, imagina na vida!

Enquanto nós temos que demonstrar interesse e correr atrás dessas produções, os homens ocupam as prateleiras das livrarias e a lista de obras de leitura obrigatória nas escolas. Ah! Mas aí é só procurar e ler! Gente, não é assim tão simples! E é nosso dever mostrar essa literatura e dividir o que aprendemos.

É nosso dever questionar porque as mulheres são tão apagadas – isso está para além das questões de produção literária, isso é um reflexo social e triste.

As meninas do #leiamulheres estão ganhando esse Brasil com clubes de leitura em várias cidades do país. Iniciativa muito importante! Se tu entrares no site, encontrarás resenhas, os clubes que existem, entre outras coisas. Entra lá, agorinha! Não deixa pra depois!

Aí, chegou o Garimpo Clube do Livro nesse esquema, não sei como exatamente, mas as meninas estão lá, escolhendo livros e enviando para leitores interessados. O Garimpo tem outros clubes também, de poesia, ficção, literatura infantil e humor e amor. Cada um atende um grupo específico de leitores. Todos indicados por uma galera que entende do que está fazendo.

E o que eu estou fazendo aqui? Eu vou falar sobre os livros que eu recebo mensalmente – assim, bem tranquilo, tentando deixar vocês com vontade de ler o que eu li. Pode ser?

Para saber mais sobre as meninas e a proposta vale a pena entrar nesses links: http://www.garimpoclube.com.br/ e https://leiamulheres.com.br/