Coisa de mulher

Até admiro mulher que acorda às seis
já escolhe a roupa certa
se maquia, sobe no salto
e não se desconcerta

Não sou dessas!

Fico puta com o despertador
levanto depois de várias sonecas
pego a roupa mais fácil
corro, me atraso

Não me encaixo!

Não sei fazer unha, cabelo, sobrancelha
não tenho esses talentos
ou disposição, não sei
Mas sei cozinhar muito bem

Não tenho falsa modéstia também!

Eu até passaria horas no salão
Só que prefiro me ocupar com os amigos,
com um bom vinho
um filme, um livro

Não me acho melhor por isso.

Pelo contrário
ás vezes, me vejo desleixada
ás vezes, me deprimo
Afinal, isso tudo não deveria ser natural?

Na verdade, não é.

Porque, o que é coisa de mulher
pode ser de qualquer um
ou de ninguém
Pode ser de mim até, mas só quando e se eu quiser

 

 

 

Floresça

 

Foto: Ana Luiza Calmon

 

 

     Não quero lhe causar choque ou repulsa minha rosa. Acontece que estou colocando no lugar que pertencem as minhas pétalas. Veja bem, guarde seus espinhos, isso não é um ataque! Apenas lhe mostro um outro formato de flor, uma nova cor. Sou eu! Estou prestes a desabrochar por completo e quero uma terra para mim. Talvez não ela toda, mas um pedacinho que chamarei de meu (l)ar – assim respiro. Pode ser absurdo para você que sempre teve pétalas tão belas nessa rosa vermelha e esses espinhos longos e grossos, em retaguarda. Mas nem esse belo, essa força ou e nem essa paleta me refletem, rosa. Eu só quero ser a minha flor,  seja ela qual for. Girassol, Orquídea, Cravo, Cravina, Hortênsia. São tantas! Por que só uma, rosa? Podemos juntas ser um lindo jardim! Apenas aceite, é desse meu jeito que eu vou florescer.