Conheça MinKa: a camisetaria feita para mudar o mundo

                                                                                               “O que a gente acredita é que para que uma mulher tenha forças para lutar por todas as outras ela precisa, primeiro, estar bem consigo mesma.”

 

É inegável que estamos cansadas das estampas fofas e várias coisas mais demonstrando a tão famosa “fragilidade feminina”. Não somos as únicas. As amigas Yasmin e Karim, também cansadas do senso comum, decidiram montar uma linha de camisetas com um toque especial: empoderamento.

Durante a semana tive o prazer de conversar com elas sobre a decisão de fazer parte da vida de outras mulheres através de roupas que são muito mais do que apenas peças: são demonstrações de amor próprio e autoconhecimento.

Megan Garcia: O que é a MinKa? De onde surgiu a ideia de criar uma marca voltada ao empoderamento feminino?

MinKa: MinKa é uma camisetaria que nasceu para empoderar! Partiu do ideal de duas amigas com um mesmo anseio, o de poder usar roupas que fossem muito mais que meros objetos utilizados para cobrir a pele. O desejo era o de poder permitir que as mulheres se vestissem da maneira que são e sentem, podendo expressar a força feminina, mostrar suas lutas e inspirar outras mulheres a lutar. Como mulheres que são, Yasmin e Karim, fundadoras da MinKa, sempre foram inquietas com as imposições sociais de um padrão machista que muitas vezes machuca e destrói, por isso resolveram lutar contra isso de maneira ativa, por meio de produtos que dão força à causa feminista e à luta diária das mulheres. Assim, em 22/02/2016, nasceu a MinKa, na cidade de Belo Horizonte – MG. Uma camisetaria cujo ideal é sair do básico e da superficialidade e provocar o empoderamento feminino por meio de paixões, inspirações e elementos de força feminina presentes em cada MinKa.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

MG: Vocês usam a frase “Nossas camisetas não vão mudar o mundo, mas as mulheres que as usam sim”. Para vocês, qual a importância da mulher saber a força que ela tem perante o mundo?

M: O feminismo, como a gente sabe, é uma luta coletiva, ou seja, todas lutando por um todo. O que a gente acredita é que para que uma mulher tenha forças para lutar por todas as outras ela precisa, primeiro, estar bem consigo mesma. E é por isso que a gente acredita no empoderamento individual de cada mulher como uma grande arma do feminismo. Quando uma mulher está bem consigo mesma, está consciente de sua força e capacidade ela tem muito mais força para lutar coletivamente.

MG: Para vocês, qual a importância de aplicar o feminismo na vida profissional?

M: A gente acredita que feminismo é vivência. Então ele tem que estar presente em todos os aspectos da vida. De quando você vai à padaria à quando você vai falar em uma reunião de trabalho na empresa. Não significa que a vida de uma feminista se resume a discursos calorosos e militância, mas quando a gente se propõe a mudar uma sociedade, isso de certa forma acaba se aplicando a qualquer atitude nossa, o jeito que falamos, que agimos. E em cada lugar que passamos a gente pode plantar uma semente do questionamento, pode fazer as pessoas pararem para refletir determinadas situações. Na vida profissional, portanto, não seria diferente. Principalmente se levarmos em conta que o mercado de trabalho ainda é um dos grandes ambientes de luta da mulher, onde ainda somos muito subvalorizadas e ainda temos tanto a conquistar.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

 

                                                                                                                              “Muitas vezes as próprias mulheres estão tão imersas nessa visão social que não sabem reconhecer quando determinada atitude é assédio. Ou, se reconhecem, não se sentem no direito de reclamar, reivindicar, rebater.”

 

MG: No último carnaval, vocês lançaram a campanha “#CarnavalSemAssédio”. Qual a sensação de ver outras pessoas abraçando uma causa que, para nós, mulheres, vai além do óbvio? É uma esperança de um Brasil menos machista?

 

M: Infelizmente o machismo é algo tão cultural e enraizado que não podemos tratar nenhuma questão como óbvia. Muitas vezes nós mulheres somos tão oprimidas que nós mesmas não conseguimos enxergar determinado ato como opressão. É o caso do assédio, por exemplo, principalmente quando se fala em carnaval, popularmente conhecido como a “Festa da Carne”. Muitas vezes as próprias mulheres estão tão imersas nessa visão social que não sabem reconhecer quando determinada atitude é assédio. Ou, se reconhecem, não se sentem no direito de reclamar, reivindicar, rebater. E essa foi a idéia da nossa campanha, mostrar de forma simples, com frases de fácil leitura e assimilação, que qualquer atitude que ultrapasse a vontade da mulher ou a deixe desconfortável pode sim, ser classificada como assédio e algo que podemos e devemos lutar contra. A campanha realmente teve uma aceitação muito bacana em todo o Brasil e isso com certeza nos enche de alegria e da uma pontinha de orgulho. Teve muita mulher desfilando empoderada no carnaval e mostrando que estamos cada vez mais conscientes e fortes e isso nos da, com certeza, muito mais força pra acreditar que a cada dia somos capazes de mudar um pouquinho, ainda que como um grãozinho de areia, a sociedade em que vivemos, na certeza de que um dia a gente chega lá!

MG: Vocês já sofreram algum tipo de ataque por defender o empoderamento feminino?

M: Sim! Já recebemos alguns comentários desagradáveis no nosso Instagram. Mas sempre que esses comentários vêm acompanhados de algum questionamento a gente faz questão de responder e colocar o nosso posicionamento. E algumas vezes recebemos em nosso chat no site algumas mensagens como “comunistas do diabo” e “peludas mal amadas” (risos). Nada que nos fizesse temer por continuar a fazer o trabalho que temos feito. Mas sabemos que estamos sujeitas a ataques mais severos, afinal, uma mudança social gera reflexos na vida de muita gente. Vai ter muita gente perdendo seu posto de “dono da sociedade” ou “dono das mulheres” e isso incomoda muito. Mas em sentido oposto, nós recebemos muitas mensagens de agradecimento, incentivo ou até mesmo um carinho puro e simples. Todos os dias temos algum tipo de retorno positivo e isso vai nos deixando tranquilas de que estamos no caminho certo.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

 

                                                                                                                              “Nosso país, assim como, na verdade, a maior parte do mundo como um todo, é estruturado em uma base patriarcal, na qual as mulheres são, ainda hoje, subjugadas, relegadas, diminuídas.”

 

MG: No site da MinKa vocês abrem espaço para qualquer tipo de conversa, inclusive desabafos pessoais. Isso já aconteceu com vocês?

M: Sim! Nós nos colocamos sempre à disposição porque a MinKa nasceu pra isso, para empoderar mulheres! Já recebemos alguns contatos de desabafos, mas o tipo de contato que a gente geralmente recebe é mais como um agradecimento ou retorno positivo. Por exemplo, uma mana contando que determinada postagem nossa a ajudou a despertar um certo questionamento em uma amiga ou parceiro. Ou contando que não tinha uma boa visão do feminismo e que nossas postagens a ajudaram a mudar essa visão.

MG: Qual a sensação de saber que cada peça que vocês mandam chega a uma mulher que aprendeu a ser dona das próprias vontades?

M: Isso é maravilhoso. Foi pra isso que a gente criou essa marca, para poder empoderar mulheres por todo o Brasil por meio de nossas camisetas, fazer com que cada uma tenha plena consciência de que pode tudo! E a gente acaba tendo uma real noção disso a cada mensagem de retorno que a gente recebe das nossas clientes depois que o pacote chega a casa delas. É uma sensação indescritível de fazer parte de algo bom e poderoso, que desperta na gente a vontade de fazer cada vez mais, para atingir cada vez mais mulheres.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

MG: Qual a importância de espalhar idéias feministas em um país machista?

M: Bom, como eu disse lá no início, a gente tem a plena noção de que o feminismo é uma luta coletiva. Mas por acreditar que para ter forças para lutar coletivamente uma mulher precisa, primeiro, estar consciente de sua própria força, a gente decidiu trabalhar dessa maneira, com o empoderamento feminino. A gente acredita que quanto mais mulheres a gente conseguir empoderar com nossas mensagens, mais somaremos à luta feminista enquanto movimento coletivo. E a importância disso no Brasil é extrema. Vide recente discurso da maior autoridade política do país, que, no Dia Internacional das Mulheres, reduziu o papel da mulher na sociedade aos afazeres do lar. Nosso país, assim como, na verdade, a maior parte do mundo como um todo, é estruturado em uma base patriarcal, na qual as mulheres são, ainda hoje, subjugadas, relegadas, diminuídas. E muitas realmente não possuem forças ou o conhecimento necessário para que sejam capazes de se dar conta do poder que têm. E é nesse sentido que a gente trabalha, na tentativa de mostrar a cada vez mais mulheres o seu real valor, para que possamos, todas juntas, construir um futuro melhor para todas as mulheres do nosso país e, assim, do mundo.

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Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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