O feminismo e o ensino fundamental

 

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 Muito tem se falado sobre feminismo nos últimos anos. O movimento cresceu assim como o ódio por ele.

Mas em dias em que meninas ainda na infância são alvos de pequenos gestos machistas, de opressões mascaradas de brincadeiras e baixa estima, precisamos mais do que nunca iniciar ainda mais cedo a educação aliada ao feminismo.
E eu explico.

Em algumas escolas da região, meninas são obrigadas a passar parte do intervalo, recreio, ou chame como quiser, sentadas para que os meninos possam correr livremente, sem as tocar, sem as observar ou fazer “brincadeiras” sobre seus corpos ainda em formação.

Em algumas escolas é ensinado às meninas que devem se omitir perante os meninos. Que devem não se misturar, não devem fazer as mesmas atividades porque não são apropriadas para meninas.

Como se isso já não fosse ruim, as meninas são as únicas que sofrem a ditadura do uniforme, a advertência pelo tamanho do short, a pressão para estarem sempre alinhadas.

E tem mais: em casa, a rotina dessas meninas não muda. Pois os pais, por hora despreparados, incentivam a anulação das meninas, bem como romantizar os relacionamentos abusivos de desde a infância da criança.

Percebemos que as escolas que se intitulam a extensão de nossas casas, tomaram como regra punir as meninas por serem mulheres. Ora, é mais fácil do que ensinar o respeito aos meninos, afinal eles são homens. É isso é normal, não é?

Se um colega bate em você, isso é sinal de que ele te ama. Se ele puxa seu cabelo é demonstração de carinho. Se ele te zoa no intervalo é porque secretamente é apaixonado. Se ele passa a mão em seu corpo sem a sua permissão, você devia agradecer por ele te achar linda.

Esse tipo de atitude reforça o machismo e seus privilégios. Esses meninos precisam aprender que ser criança não invalida a crueldade de seus atos. E é na escola onde a gente começa a nossa formação social. É na escola que aprendemos como ser indivíduos de uma sociedade. E é nesta mesma escola que todos deveriam se sentir seguros e confortáveis, independente de sua condição sexual ou gênero.

Isso só vai mudar quando ensinarmos nossas meninas a não se calar. Quando ensinarmos que elas são mais especiais e importantes do que está refletido em um espelho. Que elas podem e devem experimentar toda e qualquer atividade escolar, desde o futebol até a horta comunitária. Que elas não vieram ao mundo para servir e sim para somar. Que elas são lindas, cada uma com sua característica, e que ninguém que diga o contrário deve ser levado em conta.

Isso vai mudar quando meninos, homens, forem punidos por invadir os corpos das nossas meninas. Quando forem punidos por agredirem e violarem o espaço delas. Quando entenderem que mulheres devem ser respeitadas. Quando pararem de responsabilizar as mulheres pelos seus atos.

Temos um longo caminho. Mas pra começar precisamos apenas de um passo.