A Liberdade do Poder

Image: Reprodução/Google

     “Onde estão minhas meninas?” pergunta Taylor Momsen em um show do The Pretty Reckless, na Argentina, em julho de 2012. No show, que eu já vi infinitas vezes, ela usa uma bota de cano longo, que fica acima dos joelhos, e uma camiseta do Che Guevara. Sim, apenas isso. O cabelo loiro, longo e fino chega até a cintura e a sexualidade transmitida vai além da ausência de sutiãs e meias. Vai além dos estereótipos, além do salto, do lápis preto, do rock no fundo: é liberdade que vaza.

     A representatividade da mulher que me transmite liberdade me faz vagar sobre a vida real. Aquela fora do palco, fazendo eu me encontrar com uma adolescente de 17 anos, que foi criada através da ideologia de mulheres comportadas e futuras mães de família. Cair no estereótipo de “boa moça” nunca esteve nos planos, mas a ideologia era forte e persistente. “Aumenta esse shorts”, “sobe esse blusa”, “eu não quero você transando por aí”. Legal, mas e o que eu quero? E a minha liberdade? E o meu prazer? Onde fica?

     Parece tendência podar asas de meninas que querem voar, porque, claro, pássaros fora de gaiolas são donos de si mesmos e sabe-se lá o que pode acontecer. Imagina se elas aprendem a se amar e descobrem, dentro delas, a liberdade da auto-suficiência?  A ideia de uma mulher mandando no próprio sexo deixa a sociedade em choque, já que é a sociedade que nos obriga a seguir roteiros escritos para nós, só que por outras pessoas. Querem que vivamos histórias que não são nossas, com pessoas que não se importam. Porque, seremos sensatas, eles não se importam. Eles não nos querem opinando, pensando, crescendo, vivendo. Mas, pasmem, quem tem que querer, seja o que for, somos nós.

     Não acredito que algum dia a sociedade vá deixar as nossas meninas em paz, mas eu me tornei uma fonte de criação de asas e, cada vez mais, pregadora da liberdade e do direito de viver a vida à sua própria forma. O tabu do sexo nos cria como se querer algo fora dos padrões fosse algo incomum, mas não é. Afinal, o que são padrões? Somos mais do que listas riscadas e mulheres sem histórias. Somos mais do que padrões.

     Hoje sinto minha liberdade vazar. Pelos olhos, pelos dedos, pela boca. Hoje eu entendo que tesão é dizer sim quando quer e, principalmente, falar não; é se permitir querer mudar e poder voltar ao começo quantas vezes quiser. É se sentir bem com suas escolhas e viver com elas; é ser amiga da pequena morte e, ao mesmo tempo, não querer dormir. Liberdade é poder.

     Que poder nunca nos falte.

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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