Sereias

 

“Eu daria tudo por um pouco de silêncio agora”

A frase inevitavelmente se repetia de novo e de novo no interior da cabeça loura repousada tristemente sobre um par de braços frágeis. Estes por sua vez se cruzavam sobre o parapeito da varanda de uma cobertura onde uma festa acontecia. Pela relativamente pouca altura do prédio, ali fora o som do trânsito chegava com facilidade. Do lado de dentro, a seleção agitada do aspirante a DJ fazia as paredes vibrarem brevemente.

Silêncio parecia uma ideia muito distante. A blusa de cetim fino e mangas compridas não era o bastante para bloquear o frio da noite litorânea, em pleno mês de maio. A escolhera pensando no calor humano que agora fazia questão de rejeitar. Sair não resolvera muita coisa com relação ao barulho, mas ao menos agora tinha um pouco de ar para respirar e não precisava encarar tanta gente se divertindo ou querendo interagir com ela.

“Quero ir embora”

Aos poucos ia conseguindo organizar os próprios pensamentos acima da zoeira constante, ainda que eles continuassem reincidentes. Sabia que sua amiga para quem dera carona estava se divertindo o bastante para não ir procurá-la, então definitivamente não queria atrapalhá-la. A outra muito provavelmente acabaria indo embora com algum rapaz, mas não podia contar com isso. Mas ela continuava mal por ainda estar ali. E isso só aumentava o ódio por sua própria mania de se preocupar tanto com os outros, até em momentos como aquele.

Seu estômago embrulhava levemente, e era incapaz de dizer se por nervosismo ou por estar há tanto tempo sem comer. Passara o dia correndo de lá para cá e se preocupando com cabelo, unhas, roupa e maquiagem, de modo que só beliscara alguns petiscos desde o almoço. Podia ser isso. Ou podia ser a ansiedade que ela não podia manifestar fazendo mal de dentro pra fora, inclusive fisicamente. Mentalmente ela já sabia que não estava nada bem.

“Eu preciso ir embora”

Estava prestes a chorar quando um susto a tirou um pouco de seus pensamentos. Um grito longo e agudo foi se espalhando pelo ambiente, a alcançando nitidamente quando todo o som da festa cessou. A injeção de adrenalina instantaneamente a fez se virar e correr de volta para dentro. Era difícil distinguir rostos ou interpretar a confusão que se passava, mas a certo ponto todos pareciam entrar em um consenso e se aglomerar próximo à porta do banheiro.

“O que tá acontecendo?”
“Meu Deus, não acredito!”
“Ai, não consigo ver…”

Ela também não conseguia ver. O grupo de pessoas se amontoara tanto que criara uma forma compacta e difícil de transpor. No meio daquele empurra-empurra frenético e principalmente contra qualquer rapaz de estatura normal seu corpo pequeno não tinha muita vez. Se demorasse um pouco mais, talvez a eletricidade da ação diminuísse e ela acabaria pensando melhor, desistindo e aproveitando a confusão para ir embora de fininho – a amiga arrumaria um jeito, afinal.

“É o Túlio mesmo, gente?”

Ouvir aquele nome era o que faltava para manter seu estado de alerta. Ou melhor, para aumentá-lo ainda mais. A ansiedade se manifestou trazendo a dicotômica sensação de arrepio e calor, com uma leve acentuação no suor. O nome, naquela situação específica, causara ainda mais curiosidade sobre o que estava acontecendo. Normalmente ouvi-lo a faria ficar ainda mais desconfortável e impelida a ir embora, mas algo a fez permanecer e se empenhar um pouco mais na tentativa de entranhar-se na multidão. Era como se algum tipo de intuição lhe desse um palpite vago.

Não foi fácil vencer a barreira humana que a separava do foco de toda aquela atenção. Teve de fazer coisas que em outras situações rejeitaria por serem humilhantes, como se abaixar e passar por sob as axilas de alguém. Mas aos poucos foi conseguindo se aproximar do centro e se posicionar de forma a não ser muito massacrada. Em determinado ponto, ficou mais difícil avançar, e teve que se dar por satisfeita com a distância que alcançou. Ali, no entanto, ao se erguer nas pontas dos pés e se apoiar nos ombros de alguém, ela já conseguiu ver…

Seu olhar surpreso foi de encontro exatamente a aquele outro par de olhos, vidrados e turvos pela água que escorria sobre ele. O corpo na banheira parecia ter sido cuidadosamente ajeitado para ficar sentado sob o chuveiro ligado, que continuava a encher a banheira transbordante. Só então ela percebeu a enorme poça, que começava a se extender pela porta afora. Mas isso não era exatamente o que prendia sua atenção nesse momento. Ela continuou encaranto aquele rosto jovem e inerte por uns segundos, sentindo… paz.

Devia ficar mal por se sentir assim pela morte (e provável assassinato) de alguém? Nem se preocupava com isso, na verdade. Só conseguia pensar em como todo o asco, o medo, a vergonha e a incerteza pareciam ter sido lavados de dentro dela, desde o momento em que viu aqueles olhos cobertos pela água, pacificadora. Quando recuperou a própria reação, tornou a se esgueirar em meio à multidão, agora no sentido contrário. Parecia mais fácil agora, seja pela menor resistência dos demais a cederem espaço, seja por sua própria sensação de leveza.

Depois de se esquivar de todos e voltar ao espaço aberto da sala de estar, teve sua atenção tomada por uma uma pessoa que, ao contrário de todos os demais presentes, estava totalmente alheia à situação. Uma mulher mais ou menos da sua idade estava sentada calmamente sobre um dos pufs da festa, com os cabelos blorange presos em um coque frouxo lateral. Sua pele era dourada, mas dourada mesmo; ela brilhava suavemente. Provavelmente usava algum glitter corporal ou coisa assim…

E estava olhando diretamente para ela. Era estranho para sua timidez, mas ela não se sentiu desconfortável com a encarada. Segurou o olhar, assim como a outra, que se levantou lentamente do acento, sempre a fitando. A ruiva só se virou quando começou a andar em direção à saída, sempre de forma displicente, mas hipnotizante. Um lampejo de racionalidade a impediu de seguir a mulher misteriosa pela porta da frente. A polícia já devia estar chegando – ouvira alguém ligar em meio à confusão -, não poderia abandonar o local.

Em vez disso voltou para a varanda, agora não em busca de silêncio, mas de outra coisa. Sozinha, lá ela finalmente pode soltar um longo suspiro de alívio e deixar surgir um sorriso discreto no canto dos lábios, sem o perigo de ser vista. Tirou um maço de cigarros de dentro da bolsa de mão e acendeu um, se debruçando novamente sobre o parapeito. Se deixou ficar ali por alguns minutos.

Estava quase terminando o cigarro quando viu. O apartamento dava de frente para a praia, deserta, exceto… A tal mulher estava agora andando na areia, soltando os cabelos que caíam suavemente pelas costas, sua aura fascninante sempre presente. Ela parecia estranhamente decidida ao ir em direção ao mar noturno e gélido. A visibilidade era pouca, proporcionada apenas pela lua e alguns postes no asfalto, mas a loura não parou de observar aquela caminhada.

Quando começou a chegar próximo à beira foi se despindo, mas não estava usando traje de banho. Não hesitou nem quando seus pés tocaram a água fria e continuou, até finalmente estar numa produndidade que lhe permitia mergulhar. E sumiu. Uma pequena angústia tomou conta de sua observadora enquanto ela ficava dois, três minutos submersa sem reaparecer.

Mas como já havia acontecido tantas vezes naquela noite, a emoção logo foi substituída por outra, quando por um instante um brilho emergiu, como se flertasse com o ar. Ela podia jurar por todas as coisas sagradas que uma cauda com escamas douradas fez um movimento suave de C até bater novamente na água e desaparecer novamente. E apenas pela segunda vez naquela noite inteira, ela sorriu.

Mariana

– Cês ouviram da Mariana?

– Que Mariana?

– A Mariana Castro, do terceiro semestre.

– Não, que foi?

Imagem: Gregory Crewdson

Contou as pílulas. Quatro. Cinco. Seis. Sete. Será que isso dava? Tinha que dar, ela pensou.

– Tá no hospital. Tentou se matar, parece.

– Mentira! A Mariana?

– Pois é.

– Pai? – Começou com cautela, torcendo as mãos.

– Hm.

– Dá pra falar agora?

– Tô saindo já. Que foi, Mariana?

– Eu acho que eu tô com um problema.

– Tem que ser agora, filha?

Ficou em silêncio.

– Anda, Mariana.

– Nada não, pai. Pode ir.

 – Caramba…

– Pois é. Quem vê não diz, né?

Não tinha gaze em casa. Nunca tinha nada em casa, capaz que ia ter gaze. Teve que colocar papel higiênico entre a pele das coxas e o jeans da calça pra não roçar nos cortes. 

– Não, nem a pau.

– Bom, teve aquela vez… Lembra? Na aula de semiótica?

Sentiu um nó na garganta, um aperto. Quando a cena começou ela desviou o olhar da tela, mas ainda dava pra ouvir os gemidos. “Não, não”, Grace implorava, mas óbvio que ninguém fazia nada. Voltou a olhar pra frente quando achou que a cena tinha terminado, mas ela seguia, em silêncio. Chuck em cima dela. A ausência de cenário era uma estratégia simbólica, a professora havia dito. Era como se todos soubessem. E todos sabiam. E ninguém fazia nada. Que merda. Saiu da sala correndo, deu sorte de chegar a tempo no banheiro feminino, abrir a tampa do vaso e vomitar.

– É, aquilo foi estranho. E depois ela não voltou mais, né?

– Não, pra essa cadeira não.

– Teu pai e eu te damos tudo, Mariana! Teu pai tá com dois empregos pra pagar essa tua faculdade, que nem dinheiro vai dar, e tu me roda numa cadeira pra gente ter que pagar de novo?

– Desculpa, mãe. Não vou mais rodar, juro.

– Desculpa não adianta. Desculpa não vai pagar a mensalidade.

– Desculpa…

– Cês acham que tem alguma coisa a ver?

– Claro que não. Quem é que se mata por causa de filme?

– Sei lá, vai saber. Nem conheço a guria direito.

Faltou ao estágio naquela manhã. Eles ligaram, mas ela não atendeu. A faculdade era longe, a porta era longe, o telefone era longe.

– Anda, Mariana! – a mãe bateu na porta.

– Eu tô doente, não vou hoje.

– Doente do quê, menina? Tá doente nada. Ontem fui trabalhar com 39 graus de febre e tu fica aí nessa cama?

– Roberto pegou ela, cês sabiam?

– Roberto? Sério?

– Sim. Comeu e tudo.

Se encolheu na cama quando Roberto saiu. Viu o vulto dele se afastar pra jogar a camisinha fora, ouviu o som do chuveiro logo em seguida. Parecia chuva. Dormiu.

– Como tu sabe?

– Ué, todo mundo sabe.

– Vem pra minha casa, tá tarde.

– Não, eu tô bem, eu chamo um táxi.

– Vem, Mari, te levo no outro dia.

– Não precisa, Roberto.

– Tu não pode chegar em casa assim. E a gente pode ficar mais um tempo juntos.

– Que tenso.

– Diz ele que ela até era legal, mas aí ele voltou com a Bruna…

– Tu engordou, Mariana?

– Sei lá, tia, acho que sim.

– Tem que ver isso. Mulher gorda nenhum homem quer.

– Credo, tia!

– E tu também não te cuida. Não pinta as unhas, não arruma o cabelo. E ainda vai assim na festa?

– Na boa, se quisesse se matar mesmo, tinha conseguido.

– Credo, Diego!

Será que isso dava? Tinha que dar, ela pensou. Tinha que dar por que não aguentava mais. Não via saída, tinha medo de tudo, de todos, de si, do mundo. O túnel era tão longo que nem luz se via. Não tinha como seguir assim. Mariana só queria apagar. Se acabasse com tudo, tudo ia ficar bem.

– Mas é, ué! Deve tá querendo chamar atenção.

Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte I

Eu poderia começar o texto falando da personagem de Viola Davis em How To Get Away With Murderer ou com a personagem de Kerry Washington em Scandal, mas acho que não fomos acostumadas a ver empoderamento em meio ao machismo, então decidi escolher mulheres fortes em séries que todos conhecemos. Ou quase.

Escolhi 10 personagens mulheres que nos mostram que empoderamento não é só ter seu nome em primeira mão.

Aliás, o texto pode definitivamente conter spoilers.

10 – Jane Villanueva (Jane, The Virgin)

Ok, nesse caso, ela tem o nome em primeira mão. 23 anos, noiva de Michael Cordeiro há 2.  Jane é fã de telenovelas e mora com a mãe, Xiumara, e com a avó, Alba. No começo, Jane não conhece o pai e, como diz o título, sim, ela é virgem.  Jane acidentalmente engravida através de uma inseminação artificial e decide manter a gravidez.

“- Michael, o que você está fazendo?

– Pedindo em casamento

– Eu estou grávida.

– O_O”

Como se a bagunça não fosse suficiente, o esperma do doador é de Rafael Solano, dono do hotel que ela trabalha e, 4 anos atrás, houve uma leve faísca entre eles.

“- Eu trabalhei no Clube Golden Harbor. É de lá que nos conhecemos.

– Isso!”

Ah! E hoje Rafael é casado com Petra, que quer um filho mais do que tudo.

O empoderamento? Jane engravida – mas não engravida – de um homem rico, renomeado e casado. Ela continua trabalhando, estudando e vivendo. Jane não abre mão da sua vida por ver uma oportunidade de diminuir o ritmo e, muito menos, desiste do seu noivado. Algumas vezes se dar o direito de dizer não também é ser forte.

9 – Calliope Torres ( Grey’s Anatomy)

Dando um breve resumo de Grey’s: a história começa com Meredith e mais 4 colegas (George, Izzie, Alex e Cristina) trabalhando como internos, sonhando com cirurgias de 18 horas e plantão de 3 dias. Após duas temporadas e meia, chega a deusa da ortopedia: Callie Torres.

“O coração dispara/ Tropeça, quase pára…”

Callie cheira empoderamento. A personagem é uma daquelas histórias que a gente não acredita que o personagem sobreviveu. Callie (SPOILER!) casa com George e, logo em seguida, é traída (ele pega a Izzie. Sério). No primeiro momento ela tenta perdoar, mas não é algo que parece muito possível, então vem a separação. Um tempo depois ela se envolve com uma mulher que simplesmente a abandona, do dia para a noite. Em meio as bebedeiras de ter sido traída por um homem e abandonada por uma mulher, ela se apaixona por uma pediatra. O pai de Callie tentar levá-la de volta para casa e chama um padre para exorcizá-la (uma das cenas mais fortes desse atrito que se forma):

“ – Você acha que pode exorcizar a parte gay. Você não pode exorcizar a parte gay!”

A bissexualidade da Callie e a força com que ela abraça isso é a maior prova de amor próprio que eu já vi, fora essa fé na vida que, olha, que mulher, hein. Continuando…

8 – Olivia Benson (Law and Order – Special Victims Unit)

Law and Order – Special Victmis Unit é uma unidade especial que investiga crimes relacionados a mulheres e crianças. É uma série relativamente forte onde Olivia é uma detetive e tem um passado não muito bom de se lembrar, incluindo abuso sexual.

Olivia é, basicamente, um exemplo. O fato de só descobrirmos sobre seu passado não o deixa mais fácil de ser absorvido. Ela luta e faz o possível para prender homens que fizeram com outras mulheres exatamente aquilo que foi feito com ela. Se lutar de frente contra suas piores lembranças para salvar outras mulheres não for poder, então algo de errado não está certo.

7  – Lilly Rush (Cold Case)

Arquivo Morto é uma séria policial que investiga crimes antigos. Antigos tanto no sentido de 10 anos atrás quanto no começo do século passado. É uma daquelas séries que você consegue assistir uns episódios aleatórios que está tudo bem, mas a história de vida da detetive Rush merece uma atenção especial.

Rush mal fala da família e, em alguns episódios, onde a irmã aparece, a tensão é eminente. É aquela personagem fechada que quase nunca solta algo sobre a vida pessoal, sabe, mas que, quando solta, ficamos de boca aberta por 6 dias. E, como se não fosse suficiente, ela é a única mulher da equipe de detetives, com um passado muito bem escondido. Todo o tempo ela é testada por suspeitos com piadas machista e comentários desnecessários sobre sua aparência mas, claro, ela não se entrega e mostra que ela não está ali por ser mulher. Ela está ali por ser a melhor naquilo que faz.

 

6 – Cristina D-E-U-S-A Yang (Grey’s Anatomy)

Sim, Cristina. Uma das internas que começam a trabalhar no mesmo dia que Meredith.

“Se não tem comida, eu vou embora.”

Quem nunca, né.

Yang começa um relacionamento com seu chefe, Preston Burke, cirurgião cardíaco, que é exatamente a área onde ela mais ama, mas Burke queria casar. Bom, (OUTRO SPOILER), ela cedeu, mas (MAIS UM SPOILER) o casamento não aconteceu, pois (S-P-O-I-L-E-R) Burke desistiu de última hora, quando ele já estava no altar, dizendo que se ele realmente a amasse, ele não a faria passar por aquilo.

Faço questão de mostrar uma das minhas cenas favoritas (depois que Burke foi embora) :

 

Ela perde o marido, que nem chegou a ser marido, e deu a volta por cima. Colocou a cabeça no lugar e se tornou uma das melhores cirurgiãs cardíacas do mundo, criando procedimentos e cirurgias revolucionárias.

5 – Charlotte King (Private Practice)

Private Practice é uma história que anda junto com Grey’s Anatomy, começando quando Addison Montgomery deixa Seattle (cidade que se passa Grey’s Anatomy) atrás de um recomeço. Ela encontra esse recomeço em uma clínica particular. A clínica tem convênio com o hospital St. Ambrose. Sabe quem manda no St. Ambrose? Exatamente.

 

Charlotte é um demônio, mas é um demônio que você ama de paixão. Ela é a mais odiada no começo, por ser totalmente casca grossa e antipática, mas isso passa quando a história se desenrola. Ela passa por (PERIGO – SPOILER) perdas na família, acidentes com os médicos e, principalmente, ( FOGE QUE DÁ TEMPO) um abuso durante a série. A força de querer continuar é invejável e admiração é inevitável. Sua luta para associar sua vida junto com a mente no lugar nos faz ser fortes também, sabe. Ver uma mulher querendo ser melhor nos ajuda a sermos melhores também.

Curiosa para saber quem são as 4 mulheres empoderadas escondidas por trás de séries comuns? Volta aqui semana que vem que eu conto!

Sobre ser feminista e cristã

Muitas vezes ouvi de religiosos que a submissão era a liberdade para mulheres. Que nascer para servir ao seu esposo, à sua família e à sua igreja era perfeito e do agrado do Criador. Que isso estava na Bíblia, e que o contrário era pecado.
Mulheres independentes, decididas, de personalidade são mundanas e pecadoras.
O fato é que mais e mais mulheres têm se libertado desse conceito.
É diante disso afirmo, há sim como existir a dedicação à uma fé e ao mesmo tempo querer a igualdade social e a equidade entre homens e mulheres.
Estudando a Bíblia vemos passagens de mulheres importantes, mulheres de grande relevância histórica, e vemos também que Jesus, filho de Deus, Santo, e Messias não fez em nenhum momento de sua passagem na terra distinção entre homem ou mulher.
Há de se observar também que era uma outra época. Pouco ou quase nada era de fato “coisa de mulher”, elas sequer eram contadas nos censos das cidades.
Mas os tempos são outros.
E essa imposição de que o feminismo é promiscuidade vem imposto por líderes de igrejas, homens, o patriarcado que teme a perda do controle sobre as mulheres.
Que sente seu território ameaçado, que sente que perderá o poder sobre a mente e a vida das pessoas.
Tenho acompanhado de perto uma grande quantidade de mulheres cristãs, que vivem em intimidade com o Espírito Santo, mas que já não possuem os sonhos das moças do antigo catequese, casar, ser mãe ficou em segundo plano. Elas querem estudar, fazer a diferença.
Isso se dá ao fato de descobrirem a liberdade que o feminismo propõe à elas. De terem o poder de escolha sobre suas vidas, sem perder sua fé e sem desrespeitar sua crença.
Sem se transpor sobre nenhum gênero, sobre acolher e respeitar pessoas como indivíduos.
O cristianismo tem como base um livro histórico, mas que foi escrito por homens.
Vivemos outro tempo, mas infelizmente para as mulheres pouco mudou.
Ainda conquistamos nosso espaço, devagar. E você mulher, não precisa ser submissa se não for dá sua vontade.
Lembrem-se que Jesus quando veio à terra, era considerado rebelde, muito moderno, muito louco pra sua época. Aos poucos ele trouxe discernimento ao povo que só seguia ordens, e trouxe a liberdade.
Assim é o feminismo para as mulheres. Uma ideia ousada, radical, mas a janela para um mundo livre e de múltipla escolha, ou de escolha nenhuma. Você é dona de si, independente do Deus que você saúda.

 

Não entrarei no mérito de citar passagens da Bíblia, porque todo trecho tirado do contexto do todo é passível de interpretação pessoal. Porém, quando se fala de submissão na Bíblia, se fala de mutualidade. Ou seja, tanto homem quanto mulher se sacrificam em benefício de sua família.

 

Acima de tudo, e para finalizar, tudo que Jesus fez nessa terra foi espalhar amor ao próximo, incentivar a irmandade e o respeito entre todos.

E o feminismo puro e simples é isso. Igualdade, amor e respeito entre homens e mulheres.

Fé não é prisão. Fé é libertação, é amor, é paz, é respeito.

Fé não é religiosidade.

Fonte da imagem: imagem de reprodução Internet

O rock’n’roll é filho de mãe – e ela é negra!

Sabe essa história que o pai do rock é aquele homem que nasceu nos anos 30, estourou nos anos 50, com um baita topete, toda aquela malemolência e jogatina nas pernas? Então. Pasmem, mas quem criou o rock foi uma mulher.

Apresento-lhes Irmã Rosetta!

Rosetta Nubin nasceu em Cotton Plant, na cidade de Arkansas, nos EUA, em 1915. Aos 4 anos, Rosetta já se apresentava acompanhando sua mãe em igrejas pelo sul do país. Quando a família se mudou para Chicago, no final da década de 20, ela tocava blues e jazz as escondidas, mas apresentava música gospel publicamente. Alguns anos depois, ela se casa com o pastor Thomas Thorpe, virando assim Rosetta Tharpe graças a um erro de ortografia.

Convenhamos, não deve ter sido fácil você se apaixonar por um estilo de música e ter que tocar outro. Até que ela uniu os dois!

Blues e Jazz tem características próprias, que nada tem a ver com as letras em si, mas é impossível negar o descontentamento de frequentadores da igreja quando, em 1938, ela gravou seu primeiro disco, pela gravadora Decca Records. A divisão entre os que a odiaram e os que a amaram era evidente. Alguns criticavam o fato dela unir duas coisas tão distintas em uma só (no caso, a música sacra com outros ritmos) enquanto outros se apaixonaram pela mistura.

Outro fato inegável é que o que tornou Irmã Rosetta no que é hoje foi exatamente essa mistura junto com, claro, uma guitarra SG pendurada no pescoço. Existem relatos de pessoas que conviveram com Rosetta dizendo que ninguém, até então, dominava uma guitarra como ela. Ela se tornou inspiração para nomes fortes como Elvis Presley e Johnny Cash.

Continuando…

Rosetta continuou gravando inclusive durante a segunda guerra mundial, onde exibe toda sua virtuosidade como guitarrista. Na música “Strange Things Happening Every Day”, gravada em 1944, seu sucesso foi tanto que essa foi a primeira música gospel a entrar para o top 10 da Billboard. Foi também considerada por algumas fontes como a primeira gravação de uma música de rock’n’roll. A passagem dos anos levou Irmã Rosetta para uma montanha russa. Divorciou e se casou mais duas vezes, se casando pela última vez em 1951. Quando se dedicou ao blues, sua popularidade diminuiu, mas ainda assim fez uma turnê pelo Reino Unido junto com outros músicos.

Em 1970, Rosetta sofreu um derrame e teve de amputar a perna graças a uma complicação de diabetes. Infelizmente, 3 anos depois, após outro derrame, ela faleceu, nos deixando com 6 álbuns gravados em estúdio: Gospel Train, Up Above My Head, Precious Memories, Didn’t It Rain, Rock Me e This Train.

 

Como pode não existir um filme sobre Sister Rosetta? Pensando com os meus botões e com as palhetas espalhadas pelo chão, em poucos minutos, eu consigo me lembrar de “Johnny & June”, que conta a história de Johnny Cash; e “Elvis and Me”, que conta a vida de Elvis Presley. A representatividade de Rosetta Nubin para mulheres instrumentistas com aquele pé no rock não podia ser maior, mesmo isso não sendo tão mostrado quanto os homens do mesmo período.  É como uma luz no fim do túnel.

Só consigo comparar com a sensação de pintar o cabelo de vermelho e sorrir após um único comentário: “Seu cabelo está parecendo o da Rita Lee.”

Sister Rosetta, obrigada por ter existido. Mulheres do rock, como eu, agradecemos.

A namorada louca?

a namorada louca
Foto: Tumblr

Eu sinto ciúmes, portanto sou louca.

Sou neurótica, crio paranoias, sinto medo de perder, tenho medo do futuro e de estar fazendo tudo errado.

Tenho dificuldades de te imaginar com outro alguém, portanto sou louca.

Sou super a favor do poliamor, desde que seja bem longe do meu relacionamento.

Uma típica louca.

Meu ciúme não me faz ter ódio de outras mulheres, apenas me deixa insegura comigo mesma, louca.

Sou namorada louca que provavelmente muitas pessoas falam mal pelas costas, até porque a culpa vai ser sempre minha, da namorada.

Pense em um homem com as mesmas inseguranças e atributos que eu, ah ele será normal, apenas, amará demais sua companheira. Ou então a culpa vai ser da namorada pelos ciúmes do parceiro, ela deve provocar…

Imagine se um homem ficasse agressivo com uma curtida de um ex no facebook da companheira, quem seria o culpado?

Lógico que a namorada, porque de qualquer forma a loucura segundo a sociedade não é pertencente ao mundo masculino, mas o amor sim.

Um homem pode amar sentindo ciúmes, uma mulher não.

Um homem pode dar uma bofetada na cara da namora, porque afinal ela é a  louca não é mesmo? Um a mulher tem que tolerar um relacionamento abusivo regado a inseguranças e torturas mentais sem se defender, afinal o homem nunca é o culpado.

A mulher é sempre a vadia, e quando não é vadia é sonsa ou louca.

Não existe meio termo para a sociedade em relação às mulheres, todas merecem pedradas por suas insensatezes e supostas loucuras, já o homem… Ah o homem, pra que falar dele, coitado!

 

Jornalista cultural escreve sobre literatura contemporânea

Livros por Lívia: jornalista escreve sobre suas leituras

No ar há quatro anos, blog reúne resenhas de autores contemporâneos

www.livrosporlivia.com

 

     Baiana de Salvador, Lívia Corbellari reside no Espírito Santo desde os sete anos de idade – Vitória é sua cidade natal do coração. Aos 27, a jornalista cultural mantém uma profunda relação com a literatura desde suas primeiras leituras. “Me encanta muito conhecer outras histórias. A leitura sempre me ajudou a lidar com meus próprios problemas”, lembra.

Suas resenhas literárias deram vida ao Livros por Lívia, blog que reúne reportagens e resenhas de autores contemporâneos. Hoje com quatro anos de funcionamento, o endereço é referência na divulgação de obras capixabas, sendo ponte também de outros projetos, a exemplo do Cachaçada Literária, evento propõe aproximar o público leitor dos escritores de forma descontraída – com sarau, apresentações musicais e drinks especiais. Nessa simples entrevista para coluna Ideia D´elas, Lívia Corbellari fala sobre a trajetória do blog, literatura feminina e o mercado de editoras independentes.

“Finalmente estamos tendo voz”

Lívia Corbellari

ANA: O Livros por Lívia¸ até onde sei, começou com o objetivo de publicar resenhas de obras capixabas. Como foi o desenrolar desse objetivo?

LÍVIA CORBELLARI: Na verdade, no começo era muito mais amplo. Eu resenhava tudo que eu lia, livros capixabas, de outros estados, de outros países. Em 2013, eu trabalhava como jornalista cultural no Século Diário [jornal online de Vitória] e recebia muitos livros de diversas editoras. Fui percebendo que quando resenhava um livro daqui, o retorno era muito mais legal, o autor vinha falar comigo e muitas pessoas iam atrás do livro porque não sabiam que tinha literatura de qualidade sendo produzida aqui.

O Livros por Lívia nasceu como um portfólio desses textos que eu escrevia para o jornal e aos poucos foi ganhando vida própria. Foi nesse momento que resolvi focar nos autores daqui. Depois o blog foi desenvolvendo outros trabalhos envolvendo autores capixabas, como produção de eventos, lançamentos de livros, assessoria para escritores e o próprio Cachaçada Literária.

ANA: Escrever sobre literatura requer um conhecimento aprofundado, mais sensível às palavras e leitura. Quando e como se deu sua relação com a literatura?

LÍVIA: De fato, a leitura quando você vai escrever sobre a obra é diferente. Às vezes, leio duas vezes. A primeira só para me divertir mesmo e a segunda para escrever, onde separo trechos interessantes, faço observações, busco referências. Sobre a minha relação com a literatura, não lembro bem quando começou. Acho que desde que aprendi a ler, eu estou lendo rsrsrs. Claro que essa relação foi mudando com o tempo. Acho que me encanta muito conhecer outras histórias, a leitura sempre me ajudou a lidar com meus próprios problemas.

ANA: Para a produção das resenhas literárias, quais critérios você utiliza para escolher a obra a ser resenhada e como esta análise é feita?

LÍVIA: Meu critério é muito subjetivo. Eu leio de tudo, mas acabo resenhando só o que eu gosto. Ainda não consigo escrever textos negativos sobre os livros, quando não gosto, prefiro não escrever. Eu faço críticas e aponto as questões que não gostei, mas não me sinto uma crítica literária porque me falta estudo, acaba sendo algo intuitivo mesmo. Minhas resenhas são sobre o que senti lendo o livro, elas quase beiram a crônicas.

Escritoras capixabas: Cora Made

ANA: Como você avalia o mercado editorial e a produção literária capixaba?

LÍVIA: A literatura produzida aqui é muito diversa, temos romances policiais, contos longos, contos curtos, poesia de diversos estilos e temos escritores e escritoras produzindo em igualdade e muitos escritores das idades mais variadas. A literatura tem se voltado cada vez mais para mercados pequenos e de nicho e aqui no estado temos esse mercado bem dinâmico também.

ANA: Em Vitória, temos um crescimento visível de escritoras e poetas. Mulheres escrevendo sobre mulheres. Qual a importância desse novo movimento da literatura feminina para nossa cidade?

LÍVIA: Esse movimento é muito importante e é incrível. Vejo as meninas se movimento em todas as áreas e não só na literatura, finalmente estamos tendo voz. Claro que o caminho ainda é muito logo, mas estamos dando um primeiro passo para as novas gerações terem muito mais espaço do que nós tivemos.

ANA: Quais obras de escritoras que te marcaram você recomenda?

LÍVIA: A teus pés, de Ana Cristina Cesar; Um útero é do tamanho de um punho, de Angelica Freitas; Amora, de Natalia Borges; Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi; Afazeres domestico, de Lilian Aquino.

ANA: E escritoras capixabas?

LÍVIA: Aline dias, Isabella Mariano, Fabíola Colares, Sarah Vervloet, Cora Made, Benadette Lyra e Ingrid Carrafa.

Acompanhe as resenhas e os projetos divulgados pelo blog

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Leia Mulheres e os Clubes de Leituras

Texto da nossa colaboradora Luana Krüger, Mestranda em Literatura pela UFPel.

Esse ano, iniciei um projeto pessoal, mas antes, explico: sou estudante de Letras e durante quatro anos de graduação, e alguns anos de vida, dedico parte do meu tempo e dos meus estudos à leitura de obras literárias. Até aí, ok. Não! Conheci obras muito boas, mas não conheci mulheres escrevendo. Li livros sobre mulheres, escrito por homens. Isso me chocou, me desassossegou.

Para isso, 2017 iniciou de um jeito diferente: Esse ano só leio mulheres. Quero poder falar sobre isso, mostrar isso para os outros e ajudar a mostrar as mulheres que escrevem e que ainda são marginalizadas justamente por serem mulheres. Logo em seguida, surgiu um problema: que mulheres escritoras eu conheço? Confesso, eram poucas. Eu não sabia por onde começar e foi aí que pesquisando conheci o Clube do Garimpo, que tem um dos clubes intitulado Leia Mulheres. <3

A ideia é simples, basta assinar o clube e mensalmente recebemos um livro escolhido pelas curadoras. Mas, espera um pouquinho, eu já falo dele. Antes disso, vamos falar do Leia Mulheres.

O #leiamulheres começou faz um tempinho já, mais exatamente em 2014 com a escritora  Joanna Walsh que lançou a hashtag #readwomen2014. O objetivo, como já se pode imaginar, era ler mais essa mulherada que produz um montão, mas que é esquecida.

Mas ué, tem um monte de livro da Clarisse Lispector! E… Sim, eu sei que há muitas pessoas que conhecem muito mais, mas tem mais outro montão de gente que não. No curso de Letras, por exemplo, tive contato com pouquíssimas mulheres. Conto nos dedos – Clarisse, Cecília Meirelles, Atwood, Angélica Freitas, não fechou uma mão! Acontece que se dentro do ambiente acadêmico isso ainda é deixado de lado, imagina na vida!

Enquanto nós temos que demonstrar interesse e correr atrás dessas produções, os homens ocupam as prateleiras das livrarias e a lista de obras de leitura obrigatória nas escolas. Ah! Mas aí é só procurar e ler! Gente, não é assim tão simples! E é nosso dever mostrar essa literatura e dividir o que aprendemos.

É nosso dever questionar porque as mulheres são tão apagadas – isso está para além das questões de produção literária, isso é um reflexo social e triste.

As meninas do #leiamulheres estão ganhando esse Brasil com clubes de leitura em várias cidades do país. Iniciativa muito importante! Se tu entrares no site, encontrarás resenhas, os clubes que existem, entre outras coisas. Entra lá, agorinha! Não deixa pra depois!

Aí, chegou o Garimpo Clube do Livro nesse esquema, não sei como exatamente, mas as meninas estão lá, escolhendo livros e enviando para leitores interessados. O Garimpo tem outros clubes também, de poesia, ficção, literatura infantil e humor e amor. Cada um atende um grupo específico de leitores. Todos indicados por uma galera que entende do que está fazendo.

E o que eu estou fazendo aqui? Eu vou falar sobre os livros que eu recebo mensalmente – assim, bem tranquilo, tentando deixar vocês com vontade de ler o que eu li. Pode ser?

Para saber mais sobre as meninas e a proposta vale a pena entrar nesses links: http://www.garimpoclube.com.br/ e https://leiamulheres.com.br/

livros de fácil leitura e importantes temáticas

Foto: Divulgação

Durante a pausa do blog, resolvi aproveitar meus tempinhos vagos para renovar minhas leituras e experimentar coisas novas diferentes da minha área de conforto.

Entre essas diversas leituras duas me chamaram muito atenção e mereceram estar nessa publicação. 

Ambos os livros que citarei tratam violências que mulheres sofrem todos os dias e que muitas vezes passam batidas. A  visibilidade desses temas por um público mais jovem se faz cada vez mais necessário, e ambos cada um em seu estilo cumpre esse papel de modo satisfatório. 

O primeiro é um mangá, nunca fui muito de ler mangas, mas a arte da capa me conquistou. “Helter Skelter” pelo desenho e titulo me remeteram ao caso Tate- La Bianca, inclusive achei que o manga falava justamente disso, mas logo que comecei a leitura percebi que não havia mínima relação entre as historias.

Helter Skelter conta a historia de Liliko uma superstar idolatrada, que deixou de ser ela mesma para se encaixar aos padrões da sociedade, resultado disso é uma completa destruição de sua vida e carreira. 

Não chamaria o mangá de leve, pelo contrario ele é bem áspero e desesperador. Porém foi bem simples de ler alem das belíssimas ilustrações, muito intenso, conta com profundidade a vida de uma pessoa escravizada pelos padrões, abrindo mão de si mesma e de sua independência para conquistar almejados holofotes.

Foto: Divulgação

 

O segundo eu chamo de um livro intenso disfarçado de historia adolescente. Um dia de cada vez, conta a historia de Alexi uma menina que tem sua vida devastada devido a um estupro, a moça tenta se reerguer aos poucos e consegue isso com a ajuda de Bodee, jovem que assistiu sua mãe ser assassinada pelo seu próprio pai. Juntos eles se ajudam e se motivam a denunciar os crimes e a retirarem esse peso de suas vidas.

Não quero dar spoiler, por isso não vou dizer quem violentou Alexi, mas após lerem o livro será perceptível que apesar de absurdo o assunto é mais real do que podemos imaginar, conseguimos identificar varias Alexis sem coragem de pedir socorro por ai.

Courtney C. fez um excelente trabalho, trazendo um tema extremamente necessário em pauta para diversas jovens que se calam perante situações assim, e ao mesmo tempo trata o assunto com docilidade e leveza. 

Como leitora confesso que ambos me surpreenderam muito, por trazer a tona diferentes faces da violência contra a mulher de maneira tao delicada para um público mais jovem. Para quem gosta de leituras rápidas e intensas recomendo muito!

Se você gostou e deseja ler um dos livros ou os dois:

Helter Skelter foi o escrito por  Kyoko Okazaki e lançado aqui no Brasil pela NewPop 

Um dia de cada vez foi escrito pela Courtney C. Stevens e lançado pela editora suma de letras

 

 

Coisa de mulher

Até admiro mulher que acorda às seis
já escolhe a roupa certa
se maquia, sobe no salto
e não se desconcerta

Não sou dessas!

Fico puta com o despertador
levanto depois de várias sonecas
pego a roupa mais fácil
corro, me atraso

Não me encaixo!

Não sei fazer unha, cabelo, sobrancelha
não tenho esses talentos
ou disposição, não sei
Mas sei cozinhar muito bem

Não tenho falsa modéstia também!

Eu até passaria horas no salão
Só que prefiro me ocupar com os amigos,
com um bom vinho
um filme, um livro

Não me acho melhor por isso.

Pelo contrário
ás vezes, me vejo desleixada
ás vezes, me deprimo
Afinal, isso tudo não deveria ser natural?

Na verdade, não é.

Porque, o que é coisa de mulher
pode ser de qualquer um
ou de ninguém
Pode ser de mim até, mas só quando e se eu quiser