Tem que ser pra sempre?

Imagem: Tumblr

Na nossa condição irracional, impetuosa, e muitas vezes invejosa temos ânsia de um pra sempre.

Seja o que for, temos a ideia de que todas as coisas não possuem a necessidade de fluir mas sim permanecer estáticas em nossas vidas, como se a escolha fosse apenas nossa, ou melhor necessária.

Vi amigas sustentando um relacionamento abusivo, quantos casamentos sem amor, quantos amigos cursando faculdades infelizes por não se identificarem com a carreira escolhida… Pra que?

Pra que relutar com o destino? Pra que sofrer em vão e derramar gotas de vida lutando por um pra sempre que supostamente deixa sua vida mais sólida ou mais “feliz”?

Por que não deixar o curso da vida nos arrebatar, e nos deixar livres, recomeçar do zero, até que por fim nos encontremos com nós mesmos?

Se pertencer talvez seja a missão mais complexa de nossas vidas, vivemos em busca da liberdade, mas talvez não saibamos ser livres, vivemos em buscas de correntes que fazem nossas vidas fazerem sentido sendo que só é possível viver sem correntes.

Não existem segredos para se viver, e nem livro de autoajuda que nos tire do abismo que chamamos de vida.

Opiniões alheias já não acrescentam mais. Relacionamento bengala, amizade interesseira, faculdade sem vocação, nada disso é vida! A vida tá no respirar livre, no dormir em paz, no reconhecimento de si mesmo quando olha para trás e possui orgulho do caminho seguido.

Só você pode se fazer feliz, e só você é pra sempre seu.

Exercitando o pensamento crítico: FRIENDS

Reprodução/internet


Este é a o segundo post da experiência que eu me propus a fazer aqui. Leia se quiser entender melhor. Ele também foi feito voltado para pessoas que já assistiram/assistem FRIENDS. Se você for “leigo”, perdoe-me se o texto ficar um pouco confuso.

 

    Depois de falar sobre um dos meus filmes favoritos, é a hora de uma das minhas séries favoritas. “FRIENDS” divide com “Doctor Who”, o topo do ranking das minhas paixões televisivas (não, eu não consigo escolher uma só). Comecei a assisti-la em 2010, fora de ordem, pela Warner. Não foi a primeira série que assisti freneticamente (deve ter sido alguma da Nickelodeon), mas foi a primeira que me fez ir atrás de séries.

     Relutei muito em ver na ordem, para não ter vazio existencial, mas um dia a vontade de ver tudo foi maior que o medo de não ter mais o que assistir. Atualmente estou revendo aos poucos os episódios pelo box que me dei de presente na Black Friday do ano passado. Sim, sou fã, estou em grupos da série, faço inúmeras referências a ela, salvo várias imagens e gifs, sou 100% Mondler shipper, mas isso não me impede de ver seus problemas. A máxima que eu levo não só para esta coluna e para o blog, como para a vida, é que é possível ser fã e raciocinar direito.

     Foto do meu Instagram pessoal pra provar: meu box aí

     Enfim, protocolo seguido, vamos aos elementos que eu quero apontar. Lembrando da questão do cuidado com o anacronismo: ser algo do passado não ameniza as falhas, mas as vezes as “justifica” até certa medida. “FRIENDS” foi exibida entre 1994 e 2004, numa época em que preocupações sobre representatividade, por exemplo, estavam só engatinhando. E esse é, inclusive, o maior problema da produção.

     Além do núcleo principal – não apenas dos protagonistas, mas de todos os recorrentes – ser inteiro caucasiano, em 10 anos de série, apenas 2 pessoas não-brancas apareceram em mais de um episódio. É tanta brancura que nem sei como os dentes do Ross ainda ofuscaram alguém no s6e8. Esse é um padrão que infelizmente era muito forte na época. Ou a série era “de negros” (como “Um Maluco no Pedaço”), ou o elenco é branquíssimo. E isso é algo que ainda hoje tem melhorado beeeeeem devagar.

Charlie e Julie, únicas personagens não-brancas a aparecerem em mais de um episódio. Ambas saíram com o Ross, tendo Charlie saído também com o Joey. Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio, via Canva

      A questão LGBT, apesar de mais presente, não é apresentada da melhor forma possível. Até dá para considerar progressista a presença, como personagens recorrentes, de um casal de duas mulheres, que ainda por cima compartilhavam a guarda de um filho com o pai biológico. Mas algumas das piadas sobre isso têm caráter lesbofóbico gritante, mesmo sendo reprovadas pelos próprios personagens da série – o que acaba parecendo uma tentativa falha de amenização, já que o público ri da piada, e não do contexto.

     Sem falar de Charles Bing, pai do Chandler, que na verdade é trans e carrega estereótipos, piadas preconceituosas e desinformações sobre gênero/sexualidade. Apesar da maioria dessas brincadeiras serem feitas sob a ótica de um filho “traumatizado” e mostrando sua lenta desconstrução, há o mesmo problema da situação anterior. O que causa o riso é a ridicularização da personagem trans, e não o preconceito dos demais.

Kathleen Turner como Charles Bing/Helena Handbasket. A personagem é tratada como gay, drag queen, trans, cross-dresser… Enfim, uma enorme confusão. Imagem: reprodução/internet

      A série ainda traz uma falha que as grandes produções até hoje insistem em repetir: a escalação de uma atriz cis para uma personagem trans, o que reduz as já limitadas oportunidades para essas pessoas. E reforça a higienização, uma vez que a sociedade e a mídia em si tendem a acolher (quando acolhem) apenas trans com passabilidade cis.

     Outro problema gritante em “FRIENDS” é a gordofobia. Foram várias as vezes em que o peso de alguém rendeu deboches, e “Fat Monica” é tratada quase como uma personagem à parte, que serve apenas como piada. Na verdade, a série praticamente não tem personagens gordos que não estejam ali única e exclusivamente para provocar risadas pelos estereótipos, em vez de serem tratados como pessoas reais.

    Ainda não dá para não ver o problema do machismo que permeia vários episódios. Apesar das protagonistas femininas serem liberadas sexualmente, outros personagens e até elas mesmas ocasionalmente praticam slut shame umas com as outras. Há piadas que se sustentam em estereótipos de gênero, como o episódio em que Joey estava “virando uma mulher”. E mais uma vez, várias piadas e objetificações são falsamente amenizadas pela reprovação de outros personagens (tá aí algo que parece uma constante).

Imagem: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio, via Canva

    O ódio criado em cima da Emily também é desproporcional, já que sua reação era totalmente coerente com o trauma que havia sofrido. E, por fim, Ross é extremamente machista e um clássico “nice guy”. Mas salvo raríssimas exceções, isso nunca é posto como algo tão negativo quanto de fato é (o que renderia um post inteiro à parte).

    Eu poderia me prolongar em cada tópico e citar situações específicas que me incomodaram (como o fato da Phoebe, personagem com maior potencial feminista da série, ter feito uma vez um comentário desmerecendo a causa). Infelizmente, como típica série americana dos anos 90 que é, FRIENDS tem inúmeros problemas.

Phoebe sobre feministas: “Nós podemos dirigir. Nós podemos votar. Nós podemos trabalhar. O que mais essas garotas quererm?” Ok, não preciso explicar por que isso tá errado, né? Espero que não. Imagem: reprodução/internet

    Mas isso, apesar de me entristecer, não me impede de ainda amá-la. Assim como eu citei vários pontos negativos, eu poderia citar muitos positivos. Mas esse não é o foco desta série de posts, então só me limito a dizer que, quando nós assistimos às coisas que gostamos criticamente, podemos até sofrer um pouco. Mas isso faz muito bem para a nossa consciência, além de até mesmo nos ajudar a valorizar ainda mais as coisas boas.

Reprodução/internet

Desculpa, mas é um simples desabafo.

Hoje cheguei em minha cidade natal para matar a saudade que sinto da minha família. Sempre que vou visitá-los acabo saindo para passear  com alguém, e dessa vez não foi diferente, sai com minha vozinha e uma de minhas primas.

Entre uma sessão e outra do supermercado, o assunto que surgiu foi o casamento da minha tia, que está muito próximo, e a necessidade de encontrar uma roupa que esconda todas as nossas gorduras. Nossa família só tem gordas e a preocupação em se boicotar é constante, principalmente com minhas primas adolescentes. Percebi como a festa do casamento aumentou ainda mais a gordofobia existente entre elas, “não tem vestido bonito para mim”, “nenhuma blusa vai esconder que sou gorda”, “vou de calça, para apertar minha barriga”.

Como é difícil ver como elas se menosprezam apenas para agradar toda uma sociedade que não as quer bonitas, mas sim padronizadas e adestradas.

Em uma das lojas em que estivemos paramos para escolher biquínis (o casamento será em um sítio com piscina), aí sim foi um menosprezo total. Não é fácil transmitir amor próprio, na verdade isso é impossível, não podemos transferir. Porém, a desconstrução que eu tenho cada dia mais não as alcança da mesma forma.

Estar de acordo com o que os outros querem é prioridade, cabelo liso e longo, corpo sarado, roupas da moda. Não conseguimos ser nós mesmos no dia a dia, imagina em uma festa de casamento? Onde tudo é  milimetricamente criticado.

Isso foi mais um desabafo eu acho, bem diferente dos textos que procuramos oferecer à vocês. Desculpe por isso, é que me canso do mal que provocam em mim e em todas as mulheres do mundo.