O que torna um filme feminista?

Mad Max: Estrada de Fúria (imagem: reprodução/internet)

Filmes e produções audiovisuais como um todo se diferem da maioria das formas de arte pelo seu caráter primordialmente coletivo. Eles não são como um livro, uma pintura ou uma escultura, que por serem feitos quase sempre de forma individual – no máximo em pequenos grupos – trazem clara a marca de seu criador.

Ao contrário, eles quase sempre demandam grandes equipes, que podem até seguir a mente de uma única pessoa, mas que contribuem de algum modo para a pluralidade do resultado. E grandes produções, principalmente, refletem os interesses de várias pessoas e organizações. Mesmo obras mais autorais, muitas vezes, acabam tendo um dedo ou outro de colaboração criativa.

Por isso é tão difícil pensar no caráter ideológico de um filme ou série de TV. Se por um lado é perigoso definir a bandeira de um filme apenas por seu conteúdo, sem considerar os interesses por trás dele, por outro é complexa a própria classificação desses interesses. Na hora de fazer essa análise entram em jogo os objetivos artísticos e financeiros, a liberdade criativa, o envolvimento de cada membro da equipe e vários outros fatores.

Eu acredito que isso faz com que a definição “este filme é feminista” VS “este filme não é feminista” acabe sendo mais subjetiva. Tendo, entretanto, critérios objetivos. Por mais que se possa entrar em dúvida se Mad Max – Estrada de Fúria (filme com conceitos feministas, mas dirigido e produzido por homens) é um filme feminista, não dá pra creditar como feminista uma comédia depreciativa do nível de A Verdade Nua e Crua apenas por ter mulheres no elenco. Também é bem doloroso ver alguma obra sendo considerada feminista a despeito de seu envolvimento com um diretor ou produtor abusador, por exemplo.

É compreensível a escolha tanto de quem só considera um filme feminista pela combinação de bastidores e conteúdo, quanto quem dá pesos diferentes para ambos os lados. É uma análise complexa, afinal de contas.

Tamires Arsênio
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Tamires Arsênio

26 anos, mineira, jornalista por formação, escritora por amor e atualmente envolvida nuns 2930281 projetos (a maioria sobre protagonismo feminino). Feminista, bem bruxona mesmo. Corvinal até o tutano, mesmo que o Pottermore teime que não. Ainda esperando que o Doctor pare com a TARDIS à minha porta e me chame pra ser companion.
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Comentários

comentários

One comment

  1. Menina Borboleta

    Isso se encaixa em qualquer coisa de indústria né. Algo que se diz feminista só para ganhar $$$ mas na realidade não se importa com o movimento e muito menos se adéqua a causa.

    Sucesso, beijos! Com carinho, Menina Borboleta.

    http://meniborboleta.blogspot.com.br/

    Responder

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