Rennata – por Sara Tude

 

Algo nela me chamou atenção
Não sei dizer o que
Nem sei dizer porquê
Mas essa menina me fez perceber
Não sei dizer o que
Mas talvez, a realidade
Um outro lado da verdade
Algo despertou quando ouvi a sua oração
“Ele não sabe a minha história
A minha pele pode ser branca,
Mas ele não sabe a minha história.
Ele não sabe a minha dor
Ele não sabe a minha cor
Ele não sabe o caminho
Que os meus pés arranharam para chegar até aqui.
Para abrir a boca e dizer
Racista?
Minha pele pode ser branca
Mas ele não sabe a minha história
Ele não sabe os meus sufocos
Ele não sabe as minhas lágrimas
Ele não sabe as minhas dores
A minha mátria
Ele não sabe a minha luta
Ele não sabe a minha fome
De justiça
De igualdade
De minoria
Mas eu também sou maioria
Eu sou maior
E também posso ser
Ele não sabe que eu já sou
Eles não sabem que já somos
E sempre fomos
Sempre estivemos aqui
Para abrir a boca e dizer
Racista?”
Oração mais sincera
Clamor de quem se desespera
Não espera
Corre
E vive
E luta
E sofre
E vive
E ama
Confesso que foi assim que ela
Fez chamar à minha atenção
E depois disso, que descoberta!
Me desmontei e me desmonto
Dia após dia
A pensar naquela história
Naquela menina
Que vive
Ama
Corre
Existe
E ela é
Uma
Duas
Três
Várias
Muitas
Dores e flores
Num espelho, que reflete a realidade
Uma outra versão da verdade
O outro lado da rua pela qual ouso caminhar
E me arrisco a enxergar
O que muitos me esconderam
A realidade bate à porta
E eu, com prazer,
A deixo entrar.

Me chamo Sara, tenho 19 anos, sou geminiana, artista, bailarina, poetiza, professora de dança contemporânea e apaixonada pela arte em todas as suas formas de expressão.