‘Mais feminista que eu?’ (ou o papel do homem no feminismo)

Já começa errado nessa imagem… (reprodução/internet)

Este é um texto de opinião. Ele representa a visão pessoal da autora do post, e não se trata de um consenso dentro do feminismo.

Ser homem em uma sociedade patriarcal é viver cercado de privilégios. Privilégios esses que são conferidos, via de regra, às custas da opressão sobre mulheres. E entre os vários direitos historicamente negados ao sexo feminino e cedidos ao masculino está a voz.

Homens estão acostumados a serem o centro de tudo, inclusive dos discursos. Enquanto isso às mulheres só restava (e quase sempre ainda resta) ouvir e acatar. Até mesmo durante a primeira onda feminista, quando as mulheres começaram a se posicionar e a lutar por seus direitos, os homens chegavam a projetar nelas seus próprios interesses.

E até hoje temos que ver homens que tentam a todo custo reivindicar o protagonismo da luta feminista. Será que é tão difícil assim ver o quanto isso é injusto? É uma tentativa de fazer a manutenção de um sistema opressivo, centrado no homem, dentro de um movimento que visa a libertação e a autonomia da mulher. Isso acaba apenas reforçando a incapacidade desses indivíduos de abrirem mão dos próprios privilégios.

Não é justo que homens queiram falar pelas mulheres, não é justo que homens não ouçam as mulheres, não é justo que homens queiram “igualdade” apenas quando se sentem prejudicados pelo machismo, enquanto não dão a mínima para as mulheres realmente vitimadas, inclusive por eles mesmos.

“Então qual é o meu papel como um homem no feminismo?” “De forma simples, seu papel é ouvir as queixas femininas, questionar seu privilégio masculino e se responsabilizar por outros homens” Olha aí, tá até desenhadinho (reprodução/internet)

O papel do homem no feminismo é de ouvinte. Ele só deve ser ativo na própria desconstrução (que já é um trabalhão, por sinal, que nunca acaba), no máximo na dos seus iguais. Ainda assim, quando um homem quer desconstruir o outro, é mais justo que ele o faça também ouvir as mulheres.

Reconhecer os próprios privilégios e fazer o máximo para não reforçá-los é como os homens podem contribuir para o feminismo. Mas se eles não forem capazes nem de ceder a uma mulher um pouco da voz que eles sempre tiveram, também por privilégio, como esperam fazer o resto?

PS: pesquisando por imagens para ilustrar este post, acabei achando este texto, excelente. Vale a leitura. Clique aqui para acessar.