Vamos conversar sobre traição masculina?

 

Já faz algum tempo que eu venho reparando em uma coisa quando ouço alguma história de traição masculina. Se o caso é de reincidência ou traição constante, quase sempre alguém fala algo como “eu não sei por que ele não termina. Deve ser pela segurança de ter alguém ali sempre”.

Já ouvi isso de amigos do cara, conhecidos, da traída (neste caso, no passado), e principalmente da pessoa com quem ele traiu (não cabe julgamento aqui, mas vou linkar um bom texto do blog Mandy Francesa sobre isso). Pode mudar o locutor em alguns aspectos, mas o cerne da fala é sempre o mesmo.

Mas é algo que me incomoda tanto, mas tanto, que eu sinto até uma certa raiva sempre que ouço (ou leio) isso. Não necessariamente da fala ou de quem a proferiu (às vezes, sim), mas sempre do cara. Porque se tem alguém por quem eu não sinto a menor compaixão nessa história, esse alguém é o cara.

 

Sim, a esse nível

Nós fomos ensinados (e principalmente ensinadAS) a sempre justificar as ações masculinas. Se não assumiu um filho é porque não estava preparado para ser pai, se tem ciúmes excessivos é porque ama demais, se vacila com a namorada é porque ela deu margem. E não é diferente no caso da traição.

São inúmeras as justificativas: “é o instinto masculino”; “não deu assistência, perdeu pra concorrência”; “o ser-humano não deveria ser monogâmico”; “ela o pressionava demais, ele precisou extravasar”… Até o famigerado “homem não presta, mesmo” acaba ficando mais ao lado deles que nosso: se homem é assim mesmo, nos resta aceitar.

Mas esse caso em específico, do cara que “não termina por segurança”, não apenas é uma dessas justificativas que tentam isentar o homem de culpa, como é machista por si só. Ele não apenas trai, como o faz por um motivo opressor. Repare: aqui o que se justifica não é a traição, mas o fato dele manter o namoro.

E manter um namoro por conforto pessoal é opressor. É tratar a mulher como propriedade, como “estepe”. Prender uma mulher a uma relação que ela acredita ser recíproca, sincera e saudável, enquanto tudo que ela representa para você é estabilidade, chega a ser cruel. E sim, é muito machista.

E isso não acontece só com traição: a maioria de nós tem, já teve, é ou já foi aquela amiga que virou “peguete fixa” de um cara, mas que só é procurada quando ele não consegue ficar com mais ninguém. Ele nunca rompe o vínculo com ela porque precisa de uma “garantia”. A mulher, por sua vez, muitas vezes acaba continuando na situação, também por insegurança. Mas enquanto a insegurança dele o beneficia, a dela a prejudica.

E por que essa situação é machista? Porque uma sociedade patriarcal ensina homens a buscarem a satisfação pessoal e colocarem o interesse das mulheres em segundo (ou terceiro, ou quarto, ou quinto…) lugar. O prazer do homem vem em primeiro lugar. Isso, aliado à objetificação feminina com a qual estamos acostumadas a conviver, cria homens que não são apenas traidores, como egoístas e covardes.

Tamires Arsênio
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Tamires Arsênio

26 anos, mineira, jornalista por formação, escritora por amor e atualmente envolvida nuns 2930281 projetos (a maioria sobre protagonismo feminino). Feminista, bem bruxona mesmo. Corvinal até o tutano, mesmo que o Pottermore teime que não. Ainda esperando que o Doctor pare com a TARDIS à minha porta e me chame pra ser companion.
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