O que você sabe sobre a campanha #HeForShe criada pela ONU?


“Nenhum país do mundo alcançou a igualdade entre mulheres e homens, nem entre meninas e meninos, e as violações aos direitos das mulheres e meninas ainda são um ultraje. Por isso, temos que aproveitar as lições aprendidas e a certeza de que a igualdade a favor das mulheres leva ao progresso de todas e de todos. Temos que avançar com determinação e coragem”, Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres.
Essa frase foi dita por Phumzile Mlambo-Ngcuka, no dia do lançamento da campanha #HeForShe (ou #ElesPorElas no nosso bom português).
Para quem não está muito inteirada no assunto, o movimento #HeForShe foi criado pela ONU Mulheres, como uma forma de união global para o envolvimento de homens e meninos na destruição de todos os meios sociais e culturais que impossibilitam  o desenvolvimento do real potencial feminino, sua liberdade e direitos. Homens e mulheres trabalhando juntos para modelar uma sociedade de iguais.

O projeto focaliza o papel fundamental dos homens em uma parceria pelos direitos das mulheres. Seria uma forma de empoderamento de meninos e homens para que mantenham as relações de gênero sem o acompanhamento de atitudes machista. De acordo com o próprio site da ONU Mulheres,  a voz dos homens é poderosa para difundir para o mundo inteiro que a igualdade para todas as mulheres e meninas é uma causa de toda a humanidade.
O movimento, quando lançado, tinha o objetivo de unir um bilhão de homens, no período de um ano, dispostos a difundir a igualdade de gênero através da participação masculina. Foi grande a aceitação, inúmeros personagens famosos se uniram a causa.

Entre os nomes de famosos que apoiam essa campanha, acredito que o mais conhecido seja o da atriz Emma Watson, embaixadora da boa vontade da ONU. Em seu discurso no dia do lançamento da camapanha, ela disse o seguinte: “Eu quero que os homens comecem essa luta para que suas filhas, irmãs e esposas possam se livrar do preconceito, mas também para que seus filhos tenham permissão para serem vulneráveis e humanos e, fazendo isso, sejam uma versão mais completa de si mesmos”.

Mas ela não é a única. Existem muitos outros apoiadores, como por exemplo:

Harry Styles

Chris Colfer
Fernanda Lima, Rodrigo Hilbert, Marcelo Tas e Astrid Fontenelle


Existem muitas controversas quanto a participação de homens na luta feminista. Eu mesma tenho uma opinião pessoal de que homens não são feministas, mas sim apoiadores. A participação deles é relevante sim, mas não os vejo como detentores do título “homem feminista”.

O site da HeForShe mostra, no exato dia de hoje, o número 1.301.155,324, que indica quantas ações já foram alcançadas pela ONU. É possível acessar no próprio site todos os países em que essas ações ocorrem, assim como todas as categorias nas quais tais ações acontecem. Eles exploram questões relacionadas a educação, política, violência, trabalho, identidade e saúde.

Finalizando, convido você a conhecer mais sobre a campanha, assim poderá conhecer bem o porque de existirem pessoas que concordam e outras que discordam  dessa campanha. Depois volta aqui e me conte de qual lado você ficou, ok?

‘Mais feminista que eu?’ (ou o papel do homem no feminismo)

Já começa errado nessa imagem… (reprodução/internet)

Este é um texto de opinião. Ele representa a visão pessoal da autora do post, e não se trata de um consenso dentro do feminismo.

Ser homem em uma sociedade patriarcal é viver cercado de privilégios. Privilégios esses que são conferidos, via de regra, às custas da opressão sobre mulheres. E entre os vários direitos historicamente negados ao sexo feminino e cedidos ao masculino está a voz.

Homens estão acostumados a serem o centro de tudo, inclusive dos discursos. Enquanto isso às mulheres só restava (e quase sempre ainda resta) ouvir e acatar. Até mesmo durante a primeira onda feminista, quando as mulheres começaram a se posicionar e a lutar por seus direitos, os homens chegavam a projetar nelas seus próprios interesses.

E até hoje temos que ver homens que tentam a todo custo reivindicar o protagonismo da luta feminista. Será que é tão difícil assim ver o quanto isso é injusto? É uma tentativa de fazer a manutenção de um sistema opressivo, centrado no homem, dentro de um movimento que visa a libertação e a autonomia da mulher. Isso acaba apenas reforçando a incapacidade desses indivíduos de abrirem mão dos próprios privilégios.

Não é justo que homens queiram falar pelas mulheres, não é justo que homens não ouçam as mulheres, não é justo que homens queiram “igualdade” apenas quando se sentem prejudicados pelo machismo, enquanto não dão a mínima para as mulheres realmente vitimadas, inclusive por eles mesmos.

“Então qual é o meu papel como um homem no feminismo?” “De forma simples, seu papel é ouvir as queixas femininas, questionar seu privilégio masculino e se responsabilizar por outros homens” Olha aí, tá até desenhadinho (reprodução/internet)

O papel do homem no feminismo é de ouvinte. Ele só deve ser ativo na própria desconstrução (que já é um trabalhão, por sinal, que nunca acaba), no máximo na dos seus iguais. Ainda assim, quando um homem quer desconstruir o outro, é mais justo que ele o faça também ouvir as mulheres.

Reconhecer os próprios privilégios e fazer o máximo para não reforçá-los é como os homens podem contribuir para o feminismo. Mas se eles não forem capazes nem de ceder a uma mulher um pouco da voz que eles sempre tiveram, também por privilégio, como esperam fazer o resto?

PS: pesquisando por imagens para ilustrar este post, acabei achando este texto, excelente. Vale a leitura. Clique aqui para acessar.

Por que não podemos gostar de histórias de amor?

Por que não podemos gostar de histórias de amor?
Eu sempre gostei de histórias de amor, em todas as suas formas. Meu TCC foi sobre isso, aliás. O resultado não me agradou, mas definitivamente não me arrependo da escolha do tema. Talvez seja meu sol em Câncer falando alto, mas acho que não é só isso que me liga a esse sentimento. Também há o fato dele carregar em si o significado de ser humano.

E sim, eu incluo aqui o tal “amor romântico”. Não entendo por que as pessoas não conseguem ver seriedade e importância em histórias assim. Seres humanos são feitos de carne, osso e sentimento. São eles que nos movem, que nos mantém no lugar. E o amor está lá, entre eles.

Criou-se um esteriótipo de futilidade sobre histórias de amor. E, claro, a quem todas as coisas fúteis são relacionadas? Mulheres, claro. Não sei ao certo qual a causa e a consequência, mas tenho certeza que as duas coisas estão erradas. Sentimentos não são fúteis nem exclusividade de mulheres (que são menos fúteis ainda).

E por isso algumas mulheres se recusam a falar de amor, como se fossem fracas se o fizessem (e não as julgo por isso). Mas eu, ao contrário, continuo falando. Não quero deixar de ser ligada a sentimentos porque as pessoas os consideram vazios, e sim que as pessoas possam enxergá-los em sua completude.

E este post (escrito meios às pressas e com uma inspiração meio vaga) acabou me lembrando da imagem abaixo. É uma mensagem tão forte, tão bonita… Acho que é por isso que gosto tanto principalmente de histórias de amor entre duas mulheres, inclusive são as que mais gosto de escrever. Porque se amar é sobre ser humano, amar de forma revolucionária é sobre( )viver.

Imagem: facebook.com/devaneioscomcanela/

Vamos conversar sobre traição masculina?

 

Já faz algum tempo que eu venho reparando em uma coisa quando ouço alguma história de traição masculina. Se o caso é de reincidência ou traição constante, quase sempre alguém fala algo como “eu não sei por que ele não termina. Deve ser pela segurança de ter alguém ali sempre”.

Já ouvi isso de amigos do cara, conhecidos, da traída (neste caso, no passado), e principalmente da pessoa com quem ele traiu (não cabe julgamento aqui, mas vou linkar um bom texto do blog Mandy Francesa sobre isso). Pode mudar o locutor em alguns aspectos, mas o cerne da fala é sempre o mesmo.

Mas é algo que me incomoda tanto, mas tanto, que eu sinto até uma certa raiva sempre que ouço (ou leio) isso. Não necessariamente da fala ou de quem a proferiu (às vezes, sim), mas sempre do cara. Porque se tem alguém por quem eu não sinto a menor compaixão nessa história, esse alguém é o cara.

 

Sim, a esse nível

Nós fomos ensinados (e principalmente ensinadAS) a sempre justificar as ações masculinas. Se não assumiu um filho é porque não estava preparado para ser pai, se tem ciúmes excessivos é porque ama demais, se vacila com a namorada é porque ela deu margem. E não é diferente no caso da traição.

São inúmeras as justificativas: “é o instinto masculino”; “não deu assistência, perdeu pra concorrência”; “o ser-humano não deveria ser monogâmico”; “ela o pressionava demais, ele precisou extravasar”… Até o famigerado “homem não presta, mesmo” acaba ficando mais ao lado deles que nosso: se homem é assim mesmo, nos resta aceitar.

Mas esse caso em específico, do cara que “não termina por segurança”, não apenas é uma dessas justificativas que tentam isentar o homem de culpa, como é machista por si só. Ele não apenas trai, como o faz por um motivo opressor. Repare: aqui o que se justifica não é a traição, mas o fato dele manter o namoro.

E manter um namoro por conforto pessoal é opressor. É tratar a mulher como propriedade, como “estepe”. Prender uma mulher a uma relação que ela acredita ser recíproca, sincera e saudável, enquanto tudo que ela representa para você é estabilidade, chega a ser cruel. E sim, é muito machista.

E isso não acontece só com traição: a maioria de nós tem, já teve, é ou já foi aquela amiga que virou “peguete fixa” de um cara, mas que só é procurada quando ele não consegue ficar com mais ninguém. Ele nunca rompe o vínculo com ela porque precisa de uma “garantia”. A mulher, por sua vez, muitas vezes acaba continuando na situação, também por insegurança. Mas enquanto a insegurança dele o beneficia, a dela a prejudica.

E por que essa situação é machista? Porque uma sociedade patriarcal ensina homens a buscarem a satisfação pessoal e colocarem o interesse das mulheres em segundo (ou terceiro, ou quarto, ou quinto…) lugar. O prazer do homem vem em primeiro lugar. Isso, aliado à objetificação feminina com a qual estamos acostumadas a conviver, cria homens que não são apenas traidores, como egoístas e covardes.

Uma reflexão sobre As Caça-Fantasmas, boicotes, machistas e representatividade

Reprodução/internet
Este post pode soar um pouco desatualizado, haja vista que a notícia que o motivou já tem umas boas semanas. Mas a reflexão que ela me trouxe ainda é bem pertinente. O negócio é que eu fiquei sinceramente com medo quando soube que As Caça-Fantasmas deu prejuízo nas salas de cinema.
Antes de tudo, é preciso entender o significado desse filme. E, principalmente, seu papel como símbolo. Versão “gender bender” (de gêneros trocados) do clássico pop dos anos 80, As Caça-Fantasmas pode até não ser uma obra genial – o original também não é -, mas já pode ser considerado corajoso por ser assumida e propositalmente representativo.
E sob uma máscara de nostalgia que mal disfarça o motivo real (dica: machismo),  grupos boicotaram a produção desde antes de seu lançamento. Olha, de fato nem eu gostei muito do primeiro trailer lançado, mas “gosto” definitivamente não é explicação o bastante para que ele tenha batido recorde de avaliações negativas no YouTube.
Isso tudo, aliado à propagação em massa do clássico “nem vi e sei que é ruim” fizeram a película passar quase instantaneamente no Teste da Furiosa. Aquele que mede a qualidade/representatividade de uma produção baseado na fúria (sem trocadilho) dos machistas na internet (leia sobre ele, em inglês, aqui).
É isso (e boicote) que machinhos fazem quando descobrem um filme que não foi feito para eles
Mas, diferentemente de Mad Max: Estrada da Fúria, o boicote dessa vez parece ter dado efeito – ou pelo menos é essa a impressão que ficará para muitos. E é justamente por isso que eu tenho medo. Temo duas fortes – e péssimas – possibilidades: ou os haters se sentirem responsáveis e consequentemente mais encorajados para novas investidas, ou os grandes produtores se sentirem acuados e diminuírem os avanços que já tivemos nesse aspecto. A antes confirmada sequência de As Caça-Fantasmas, inclusive, já foi posta em xeque, como dito na matéria que gerou este post.
A gente sabe bem como funciona o mercado. Tudo é feito visando o público e, principalmente, o lucro. Não dá para ser ingênuo de acreditar que o crescimento de produções representativas e/ou empoderadoras foi meramente por ideologia. O que houve foi um crescimento da projeção do público preocupado com essas questões, que passou a ser visto como expressivo, ao ponto de provocar mudanças.
Mas se os haters e machistas começarem a ser vistos como uma parcela significativa do público, as coisas podem se complicar. Porque se tiverem que escolher entre agradar o público desconstruído (promovendo mais desconstrução, aliás) ou o dinheiro, é óbvio que sempre ficarão com a segunda opção.
Isso pode até parecer desmotivador, mas eu acredito que só reforça que não podemos parar de reivindicar e fazer nossas vozes valerem. Não foi ficando caladas no cantinho em que nos colocaram que conseguimos começar a mudança.
Ao contrário do que tentam alegar, até nosso “textão de Facebook” já fez e continua fazendo diferença. Mas ele de fato não é o bastante. Nossas reclamações e manifestações nos fazem sermos vistas como público em potencial, mas não como efetivo. E é exercendo os dois papéis que conseguimos alguma coisa. E, no final das contas, faz mais sentido focarmos nossas energias (e nosso dinheiro) em produções que se alinham com nossos ideais, né?
É mostrando a que viemos que conseguimos resultados
E é claro que eu não estou falando de simplesmente encher os bolsos de grandes produtores como “prêmio” por terem se adequado a novas tendências. Nem mesmo falo de sair assistindo o que não nos agrada só por ser representativo. Mas, primeiro, eu incluo aqui também o incentivo aos pequenos e principalmente pequenas profissionais da arte e do entretenimento, que precisam ainda mais dele. Segundo que só de nos esforçarmos um pouquinho para prestigiar coisas que gostamos e TAMBÉM são representativas já estamos fazendo alguma coisa.
E por último, mas não menos importante: só se muda um mercado por dentro. E o primeiro patamar que alcançamos para mudar a indústria cultural é o do público. Sendo vistas como público “ganhamos” produções que podem, inclusive, despertar novas criadoras entre nós. 
Isso, aliado às nossas reivindicações por representatividade, só tende a aumentar o número de produtos escritos, desenhados, dirigidos, produzidos por mulheres. Vide os vindouros filmes da Mulher Maravilha e da Capitã Marvel e suas diretorAs. Aos poucos vamos ocupando novos espaços e promovendo exatamente a mudança que os haters não querem ver. E eles que se acostumem

A gente chega lá!

Moda e Opressão

Moda e opressão

Moda e Opressão

 

Antes de começar este texto, só quero deixar claro o quanto ele é baseado em mim. Sim, ele é baseado nas minhas vivências, com um cadinho de história envolvida e só quero te convidar e pensar.

Antes de começar o Blog, sempre lutei e relutei em abordar moda, porque sim, porque para a maioria das pessoas moda é futilidade. Mas, assim como tinha esse receio, me veio a vontade de mostrar a quem eu pudesse que moda é muito mais do que esta camiseta que você veste neste momento. Toda roupa, cor, influência, tem o porquê de ser, mas, não é sobre esta questão técnica que quero falar, quero na verdade te convidar a pensar no quanto a moda pode libertar e aprisionar, no caso, nós mulheres.

A moda, mais do que estar nela, existe como parte de expressão pessoal. É você dizendo, em cada detalhe, quem você é, porque é, e logo, podemos tratá-la como resistência ou subordinação. Por mais que a gente tente, a todo o momento, resistir às opressões e a socialização, existem outras mulheres que sucumbem a elas, e pouco podem fazer a respeito. Não faz muito tempo em que a burca, por exemplo, não era obrigatória em alguns países de origem islâmica, e convido você a ler o post da Ingrid sobre isso, é só clicar aqui.

Ao mesmo tempo em que tentamos nos expressar, lutamos contra uma indústria totalmente machista e que nos divide entre padrão e não padrão. Uma indústria que vê nos tempos atuais, uma espécie de mude ou morra, porque nós, dentro da nossa cultura, não aceitamos o que querem que a gente aceite. Não aceitamos sermos chamadas de plus size, quando não usamos manequim 38, não aceitamos que certas peças de roupa, sejam para poucos, não aceitamos que expressões culturais sejam chamadas de brega. Nós também não aceitamos mais que nossos cabelos tenham que ser lisos, só para fazermos parte de um grupo. Não aceitamos, simples.

 

Moda e Opressão
Ju Romano. Referência em moda, empoderamento, amor próprio e quebra de padrões.

 

A meu ver, além de uma forma fundamental de expressão, a moda torna-se resistência. Usamos o que queremos, porque queremos e nos aceitamos como somos, e a indústria de consumo tem que aceitar, são as nossas regras. Por isso, mana, amiga, irmã: afirme-se. Não tenha medo, use e abuse da moda, esteja nela se quiser, não esteja se for sua opção. Não se anule por nada e nem por ninguém. A parte mais deliciosa de ser moda é ser o que quiser, usar o que quiser, sem deixar de ser o que mais você deve amar: você!

Nota: Esse texto foi feito pela blogueira Rafaela Arnoldi, feminista e proprietária do blog de moda Diariamente.

Um ano de Elas por Elas!

Reprodução/internet
Estamos fazendo nosso primeiro aniversário! Entretanto, podemos dizer que o verdadeiro início foi há bem mais que um ano. O blog surgiu de uma ideia que, como nosso primeiro post já dizia, surgiu de um ideal. Esse ideal cresceu, tomou forma e se tornou o projeto que acabou virando também nossa paixão.
Não foi um ano estável, mas foi um ano maravilhoso, sim. Tivemos pequenos hiatos (e um enorme), mas sempre que voltávamos o orgulhinho batia no peito. Sentimos prazer em produzir os posts, e nos alegramos quando somos correspondidas.
Vimos nossa página ter um estouro de crescimento graças a um post “polêmico”, conquistamos parceiras maravilhosas, abraçamos novas autoras e demos um “até logo” a uma delas. Isso, inclusive, lembra que estamos providenciando novidades por aqui, mas que ainda são surpresa.
E vamos seguir em frente, sempre. Esperamos poder contar com vocês que já nos acompanham, e que possamos crescer cada vez mais. Obrigada por tudo, e parabéns pra gente!
PS: Nossa “data de nascimento” oficial é o dia 31/08/2016, mas consideramos nosso lançamento oficial o dia 06/09/2016. Isso porque foi a data do nosso primeiro texto literário, cerne do projeto, e da primeira publicação na página do blog.

Precisamos falar sobre depressão

Precisamos falar sobre depressão

 

Escrevi esse texto porque estou cansada de ver gente romantizando depressão.

Vamos lá, depressão é uma coisa séria e não um capricho adolescente, e nem uma invenção para chamar a atenção.

As crises são terríveis a ponto de não permitir que a pessoa saia da cama, se entregue a choros  pouco a pouco perdendo a vontade de fazer qualquer tipo de atividade.

Aceitação e tratamento são o fundamental para a sua vida, a doença em si não te prejudicará em nada, mas o modo que você digere palavras alheias sim.

Não deve ser normal falar para uma pessoa que sofre desse mal que a culpa é dela, que tudo pode se resolver basta querer. Assim como um monstro de mil braços a depressão agarra as vitimas e as sufoca de modo que elas nem ninguém são capazes impedir.

Tenho depressão desde os 16 e sinto crises existenciais constantes, por muito tempo me senti pressionada achando que a culpa era minha, que precisava me render alguma forma, ser grata a minha vida ou simplesmente “parar de frescura” como todos a minha volta recomendava.

Meu recado não é para essas pessoas que por muitas vezes por falta de informação ou simplesmente falta do que fazer recomendam para que pessoas que sofram desse mal simplesmente o deixem pra lá e aproveitem a vida que tem. A única coisa que eu tenho a dizer a pessoas que rodeiam alguém que sofre com depressão é: cuidado com suas palavras, algo que não te fere pode soar brutal a esse alguém, tomar cuidado com as palavras ditas é o mínimo que você deveria ter aprendido com a tia do pré.

Pessoa como eu que possuem o diagnostico, precisam mais do que nunca acreditar em si mesmas, realizar o tratamento e por hipótese nenhuma deixar seu brilho se corromper com amarguras alheias.

A culpa não é sua, e você não tem controle sobre seus sentimentos e tão pouco sobre esse monstro que te rouba à vitalidade, você não precisa da opinião dos outros e tão pouco da pena de ninguém.

Você é bem mais que tudo isso e não precisa de boas palavras e tão pouco de más, só precisa da coragem de ser tudo que és, sem limites, ou mentiras, mas com devaneios, ânsias, amores e loucuras, como qualquer outro ser. Acredite no atual momento estamos todos inabitáveis.

[Não] Cale-se! – Por Nathalia Lourenço

Cale-se, não pode sair por ai dando sua opinião.

Bem vindos ao meu mundo, no qual sou obrigada a ouvir essa frase todos os dias. As vezes dita com outras palavras, mas sempre com o objetivo de me manter calada.
Para aqueles que não me conhecem, sou uma garota de 22 anos que não tem medo das palavras. Trato as palavras como minhas amigas, pois elas o são. Elas me permitem expressar meus pensamentos, sentimentos e coisas que não seriam possíveis por outros meios. Elas me ajudam a construir o que desejo, sem nunca me julgar ou me repreender. Elas me fazem livre, para espalhar alegrias, compartilhar tristezas e dividir frustrações.
Mas as pessoas, essas tem medo das palavras.
Medo de que suas palavras as joguem contra elas mesmas. Medo que palavras alheias joguem outrem contra elas. Medo de usar palavras erradas. Medo de usar as palavras certas demais.
Esse receio todo faz as pessoas pensarem muito em suas palavras quando só as deveriam dizer. As palavras se tornam sua prisão. E talvez por estarem presas, as pessoas supõe que o mundo seria melhor se não apenas uma ou outra pessoa estivesse trancada dentro de si mesma, mas que todas estivessem em igual posição.
Mas por ser amiga das palavras, por ter sua compreensão, apoio e ser empoderada por elas, não sou capaz de atender a tal pedido. Não sou capaz de pensar demais sobre elas. Não sou capaz de editar meus pensamentos e sentimentos. Não sou capaz de frustrar a mim mesma e as minhas palavras para agradar a outrem. Não sou capaz de não ser eu mesma.

Em um passado distante, eu mesma não me entendia com as palavras, as pensava demais, as guardava demais. Mas percebi que ao permitir que elas fossem livres, quem estava livre era eu.

Nathalia Lourenço