‘Caçadoras de Mitos’: mentiras sobre o feminismo

O feminismo cresceu muito recentemente, mas também apareceram muitas pessoas contrárias a ele. Não apenas opressores assumidos, mas também pessoas desinformadas, alimentadas pelo senso comum, repetem e propagam mitos sobre o movimento. Algumas dessas inverdades são tão comuns em posts e comentários pela internet que achamos que já era hora de fazer uma “versão feminista” do Mythbusters. Segue abaixo uma seleção de mentiras sobre o movimento, e nossa resposta a elas.

“O feminismo prega a superioridade da mulher sobre o homem”

O feminismo luta a favor de direitos iguais para ambos os sexos. Simples assim. Ele quer corrigir as injustiças sociais do patriarcado e dos papéis de gênero. Cada vertente e cada feminista tem pontos sobre essas questões, mas nisso todas elas convergem. 
Imagem: reprodução/internet


“Feministas querem apenas os direitos, nunca os deveres”

É muito comum ouvirmos essa frase acompanhada de outras como “alistamento obrigatório não querem” ou “na hora que pagar menos na balada não reclamam”. Antes, vamos entender que tudo depende da sua concepção de deveres. O feminismo luta por direitos, e se a esses direitos vêm atreladas responsabilidades, nós as queremos SIM.
Mas algumas ideias, como as que eu citei, não fazem sentido. A primeira porque não há por que lutar por ainda menos liberdade. A segunda porque nós também não gostamos desse fato. Como já disse uma pessoa sábia: “se você não paga pelo produto, o produto é você”. E entre nossas pautas, está o direito de não sermos tratadas como mercadoria.

“O feminismo faz discurso de ódio contra o sexo masculino”

Como já falei nesse post, explicando por que algumas feministas usam ironicamente de repulsa aos homens em memes, misandria não mata ninguém. Ela no máximo é usada de modo irônico contra os opressores, enquanto a misoginia mata, estupra e agride.
De todo modo, tirando essa ironia, feministas não pregam ódio aos homens. Quando fazemos afirmações generalistas sobre seu gênero, estamos tratando de seus papéis sociais. Quando alguma feminista diz, por exemplo, que “todo homem é um estuprador em potencial”, não significa que todos vão estuprar, mas que se ele quiser, provavelmente vai conseguir, porque tem poder para isso.

“Feministas são todas (complete aqui com qualquer clichê sobre aparência, hábitos ou sexualidade)”

Nos parênteses entram, usualmente: gorda, peluda, mal comida, lésbica, feia, puta… Dica: feminista não é tudo igual. Dá pra ser feminista e não ser nada disso, assim como dá pra ser e, adivinha? Não é da conta de ninguém. O fato de pessoas julgarem mulheres por sua aparência, hábitos e sexualidade só reforça a importância do feminismo.
Imagem: reprodução/internet

“Feministas querem ser iguais aos homens”

Não, feministas querem ter os mesmos direitos e liberdades que os homens. É comum que essa frase venha junto com ideias como “já é feio para o homem fazer (complete aqui)”. Geralmente a frase é completada com aspectos que se referem à liberdade sexual. O maior problema é que, geralmente, essa frase é usada como máscara. O homem dificilmente é julgado por sua liberdade da forma que a mulher é. E mesmo se fosse, sexo é algo saudável, e a quantidade de parceiros e os hábitos sexuais de cada um não deveriam incomodar tanto.

“Feministas são comunistas”

Esse mito é completamente ligado à dificuldade que as pessoas têm de separar ideologia de esquerda e comunismo. Não, não é a mesma coisa. Todo movimento que visa a subversão de padrões vigentes é de esquerda, e isso inclui o comunismo, mas não só ele. E por natureza, o feminismo pode ser considerado um movimento de esquerda. Mas isso não é regra nem para o movimento, nem para cada feminista. O feminismo liberal, por exemplo, acredita na livre iniciativa, tendo portanto traços de ideologias de direita.

“Feminina sim, feminista não”

O que representa “ser feminina”? A sociedade dita papéis para nossos gêneros, e muitos dos traços dos gêneros são construção social. Questionar isso é pauta do feminismo. Mas não significa que feministas precisem abdicar de características atribuídas a seu gênero. Dá para ser feminista e ser tida como “feminina” pela sociedade.
Imagem: reprodução/internet

“Donas de casa não podem ser feministas”

Se relaciona ao tópico acima. O feminismo promove a problematização dos papéis, o que inclui a delegação dos deveres de casa às mulheres. Mas isso não impede uma mulher, consciente disso e por vontade própria, de ser dona de casa e feminista.

“O feminismo de antes que era bom, hoje em dia elas só querem mostrar os peitos”

Sempre que eu topo com esse tipo de comentário eu me pergunto se quem tem fixação por peitos somos nós ou quem é contra o feminismo. Uma passada rápida em algumas das principais páginas feministas no Facebook mostra que as pautas são muito diversificadas. Além disso, nem toda manifestação que usa o corpo para protestar é totalmente incoerente, mas isso não significa que toda feminista concorda com elas.
Imagem: reprodução/internet


“O feminismo não respeita as religiões”

Fato surpreendente: muitas feministas têm uma religião, e algumas são até cristãs! Acontece que o feminismo permite o questionamento de dogmas e costumes religiosos que não são condizentes com nossas noções de respeito, igualdade e liberdade. E, por isso, é comum a problematização desses valores religiosos, assim como dos males que instituições como a Igreja Católica e outras fizeram a mulheres e outras minorias. Mas nada disso apaga o respeito pela fé de cada uma.

“O problema são as feministas radicais, que estragam o movimento”

Existem várias vertentes do feminismo, mas é importante entender que “radical” vem de raiz, e não de extremismo. Deixo aqui o post da Alessandra sobre o feminismo radical.

“Eu não preciso do feminismo”

Eu fico particularmente incomodada com essa. Primeiro que duvido muito que alguma mulher no planeta não precise nem um pouco do feminismo. Segundo porque, suponhamos, essas moças realmente não precisem. Elas usam a frase para deslegitimar o movimento, mas acabam demonstrando egoísmo, pois desconsideram as mulheres que mais precisam dele. Uma moça que nunca foi violentada, sofreu violência doméstica, ou teve sua sexualidade julgada demonstra falta de empatia ao dizer tal coisa.
Imagem: reprodução/internet

“Homens e mulheres já têm os mesmos direitos”

Outra frase que eu realmente fico chocada em ler/ouvir. Nossos direitos civis (aqui no ocidente) podem ser bem próximos de uma igualdade, mas nem isso está perfeito. Aos poucos vamos evoluindo na correção de diferenças através de leis, mas ainda há muito a ser percorrido. Ao final deste link, são citadas algumas das leis sexistas no Brasil.

Mas o grande problema é que direitos civis nem sempre são suficientes para garantir direitos sociais. Várias desigualdades ocorrem apesar das leis, e às vezes até com conivência do governo pela ausência de ferramentas para corrigi-las.

Espero que o post tenha ajudado a esclarecer algumas coisas!
Tamires Arsênio
Me segue aí!

Tamires Arsênio

26 anos, mineira, jornalista por formação, escritora por amor e atualmente envolvida nuns 2930281 projetos (a maioria sobre protagonismo feminino). Feminista, bem bruxona mesmo. Corvinal até o tutano, mesmo que o Pottermore teime que não. Ainda esperando que o Doctor pare com a TARDIS à minha porta e me chame pra ser companion.
Tamires Arsênio
Me segue aí!

Últimos posts por Tamires Arsênio (exibir todos)

Comentários

comentários

2 comments

  1. Alessandra Lamunier

    Telmo, o machismo e o sexismo não proporcionaram esses avanços na publicidade, é a luta contra eles que proporciona atitudes como essa, não eles em si. Machismo e sexismo querem manter as descriminações e esteriótipos que reforçam tantas injustiças e desigualdade que vemos.
    Se não houvessem casos de pessoas que lutam contra, os ideias machistas e sexistas estariam por aí prejudicando ainda mais homens e mulheris, sem que nenhuma discussão (como essa do video) fosse levantada. Entende o que eu quis dizer?

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *