Se esse post existe, graças a Deus, porque ele existe? – Os memes como arma

O humor sempre foi uma forte ferramenta social e política. Desde comédias teatrais de cunho crítico até esquetes de humor na televisão, passando por paródias no cinema e charges nos jornais, o tom contestador se mostra presente em várias ocasiões. 
E quando praticamente tudo no mundo já passou ou está passando por transformações para se adequar à internet, o humor não poderia ficar de fora. E os memes são, provavelmente, a forma mais popular de humor na web.
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E, claro, os memes com características políticas acabam surgindo também. Os mais diversos movimentos sociais têm os seus, e o feminismo não poderia ficar de fora. E as minas usam cada vez mais essas imagens de forma crítica, e até panfletária.
Mas e misandria? Pode?
É comum que muitos desses memes falem de misandria. Muitas meninas se incomodam com isso, já que consideram a misandria tão errada quanto a misoginia.
Mas é importante esclarecer uma coisa: socialmente e na prática, misandria e femismo não existem. Mulheres não têm poder estrutural para oprimir homens. E a forma como a misandria é usada nesses memes é, acima de tudo, irônica.
Assim como existe a ironia em cima da heterofobia (também inexistente, pelos mesmos motivos), existe a ironia em cima da misandria. Elas vêm justamente para se contrapôr às opressões sofridas por minorias. Além de criticar os próprios opressores que se dizem “atacados” quando os oprimidos buscam seus direitos.
Só para reforçar e deixar a diferença ainda mais explícita: enquanto misoginia e homofobia matam, violentam e agridem minorias diariamente, misandria e heterofobia no máximo ironizam os opressores.
Se aplica a femismo e misandria também (já que eles não existem)
Enfim, depois de esclarecer esses pontos, vamos a uma novidade: a partir de hoje, o blog terá uma página com uma galeria permanente de memes e imagens feministas. Aproveitando o espaço, postaremos um compilado não apenas de imagens engraçadas (para postarem em seus perfis ou quando uma discussão com mascus que não valem a pena), como várias imagens legais que encontramos pela rede. 
Podem aproveitar pra atualizar as imagens de capa, papéis de parede, até imprimir. E melhor ainda: como vai ser uma página fixa e com constante atualização, você sempre pode voltar para salvar mais imagens!
Quer contribuir? Mande na página do blog, no post que reservamos para isso! Espero que gostem!

Vamos falar sobre feminismo liberal?

Imagem: reprodução/internet

Quanto mais nós lemos sobre o feminismo, mais informações surgem e com elas muitas dúvidas novas. As dúvidas que vamos tentar resolver hoje são sobre o feminismo liberal. 
O texto que estão lendo não representa nenhuma opinião pessoal (admito que a minha vertente feminista é a interseccional), ele foi feito de forma simples e objetivo para auxiliar quem, assim como eu, teve ou tem dificuldades em encontrar textos que sejam fáceis de entender e nos ajudem a conhecer melhor pelo o que estamos lutando.
Para ser bem sincera com vocês, eu não encontrei referências muito completas sobre essa vertente, então esse talvez seja o mais simples dos textos que já fizemos nessa coluna. Vamos abordar apenas algumas bases, ok?
O feminismo liberal, ou libfem, tem como foco a iniciativa livre de cada individuo. São os pensamentos que pessoas, gozando de todo o seu livre arbítrio, escolhem por conta própria, com o mínimo de intervenção vinda do estado, da família, da sociedade em geral.
Diferente do feminismo radical, que defende que as escolhas são condicionadas por regras da sociedade.
Para que vocês possam entender melhor, vou enumerar algumas das idéias defendidas pelas feministas liberais.
– se uma mulher modifica o próprio corpo para que ele se encaixe no padrão de beleza que sabemos ser estipulado pela sociedade, ela está exercendo liberdade de escolha. Existe o caminho de ter o corpo como é e padroniza-lo, e a mulher tem que ser livre para escolher entre eles por si mesmo.
– a prática da heterossexualidade feminina é uma escolha. Não é vista como uma regra estipulada ou questão biológica, mas sim uma decisão tomada conscientemente por cada uma. 
– a melhor forma prevista pelo libfem para colocar em prática a igualdade entre homens e mulheres é através de reformulação de leis. Reforma e uso da política e de meios institucionais. A ascensão de mulheres em governos, empresas e meios de comunicação é uma vitória para o feminismo liberal.
– algumas das questões que o libfem deseja concertar são a desigualdade salarial, permitir a aceitação de homens nas lutas feministas (Emma Watson defende essa ideia, vocês conhecem a campanha #HeForShe?) diminuição ou extinção do estado.
– o governo é visto como a maior causa das opressões sofridas pelas mulheres. Se o estado se envolvesse menos (ou melhor, não se envolvesse de forma alguma) essas opressões seriam cessadas. 
O feminismo liberal me parece o mais ligado a questões políticas (no sentido governamental), já que vê o governo como causa das opressões, do que as outras vertentes feministas. Não que as outras não possuam essa ligação, de uma forma ou de outra. Mas ainda preciso aprender muito sobre ele.
Como eu disse no início, me faltou material que ajudasse a compreender essa vertente. Por isso peço que todas as meninas que tenham material que complemente nosso texto, nos enviem. Estamos aqui para aprender com vocês! E se mesmo depois do que leu você ainda não entende coisa alguma, pergunte nos comentários. Nossos estudos não acabam aqui e quando surgirem mais informações, vamos atualizar tudo no blog.