Entendendo melhor o que é esse tal de feminismo intersecional

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Atualmente, temos visto várias vertentes do feminismo sendo citadas em conversas. A que eu vou tratar com vocês hoje é o termo Feminismo Intersecional.


Esse termo é cunhado pela professora norte-americana Kimberlé Crenshaw em seu livro e ela o define como:

A visão de que as mulheres experimentam a opressão em configurações variadas e em diferentes graus de intensidade. Padrões culturais de opressão não só estão interligados, mas também estão unidos e influenciados pelos sistemas intersecionais da sociedade. Exemplos disso incluem: raça, gênero, classe, capacidades físicas/mentais e etnia.

Para entenderem um pouco melhor sobre o que estamos falando, vou explicar da seguinte forma, intersecionalidade fala sobre como os diferentes tipos de discriminação interagem. Não há um tipo de feminismo tamanho único e tanto as campanhas feministas como as antirracistas tem deixado as “mulheres de cor invisíveis na visão geral”. 

Por exemplo, eu sou uma mulher negra e, como resultado, enfrento tanto o racismo como o sexismo ao caminhar em minha vida cotidiana. E nunca essas duas formas de discriminações passaram de forma separada em minha vida.


Kimberlé Crenshaw em foto do seu twitter oficial
                             

Acho importante esclarecer, para uma melhor compreensão, que o termo foi utilizado inicialmente para verificar a aplicabilidade do feminismo negro em leis anti discriminação. Crenshaw citou em uma palestra o caso de Degraffenreid vs General Motors, em que cinco mulheres negras processaram a GM por discriminação de raça e gênero. “O principal desafio da lei é a forma como foi fundamentada, porque a lei anti discriminação olha para raça e gênero como elementos separados”, diz ela. “A consequência disso, é que as mulheres negras americanas — ou quaisquer outras mulheres não-brancas — vivem a experiência de uma discriminação por sobreposição ou conjunta. A lei, inicialmente, não estava lá para vir em sua defesa”.


A principal coisa que a ‘intersecionalidade’ está tentando fazer, eu diria, é evidenciar que o feminismo, que é em certos discursos excessivamente branco e classe média, representa apenas um tipo de ponto de vista — e não reflete sobre as experiências de diferentes mulheres, que enfrentam múltiplas facetas e camadas presentes em suas vidas.

Falando como exemplo pessoal, quando o racismo é levantado no feminismo, ele acaba sendo tratado da mesma forma de quando esse tema é proposto em qualquer outro espaço de debate. Os discursos banais habituais são usados ​​e a acusação de “dividir o movimento” é muitas vezes atirada ​​ao redor.

Então, existem muitas opiniões acreditando que até que o movimento feminista majoritário comece a ouvir os diferentes grupos de mulheres dentro dele, ele corre o risco de se tornar estagnado e não será capaz de seguir em frente. O único resultado disso é que o movimento torna-se fragmentado e continuará a ser menos eficaz.

Viajante

Ela vivia de idas e vindas. Idas além e vindas profundas. Viajava sempre e das mais diversas formas. Às vezes montava na bicicleta só com uma mochila nas costas e ia percorrer o estado. Em outras ocasiões, juntava malas e ia de avião para o exterior. Já conhecera 300 cidades da própria nação e mais outros 7 países. Já fora a todos os continentes, menos a Antártida – mas ela já estava nos planos.
Nunca ia duas vezes para o mesmo lugar, e já fazia dois anos que não voltava para sua cidade natal. Para onde eram essas vindas, então? Pois eram para dentro de si. Seu destino de volta era seu próprio ser, que estava sempre receptivo e aberto para ser enriquecido. Cada canto somava um pouco.
As pessoas que conhecia acrescentavam vivencias inimagináveis. Os lugares vistos podiam propiciar paz de espírito ou firmeza de caráter. As comidas provadas eram absorvidas sempre com um agradecimento. Aprendia com cada uma dessas coisas em seu âmago. E, só então, partia para uma nova viagem, pronta para sair de si.