Liberdade – por Josiane Rodrigues

Reprodução/Internet

Ser mulher neste mundo, é, enquanto você anda pela rua, ver um homem, xingando com muita raiva outra mulher, simplesmente pelo short que ela estava usando, ele esbravejava e a xingava dos mais variados nomes, sem razão ou motivo algum. 

Se pensarmos na sexualidade e na repressão que nós mulheres sofremos por todos estes anos, fica claro o porque da raiva dele. Para nós mulheres, como todo mundo sabe, o sexo é considerado pecado, nosso corpo é considerado um convite, uma provocação, terra de ninguém. Somos lidas pela sociedade para servir ao homem de todas as formas, e isso não está mais acontecendo.
 Há o levante das mulheres que simplesmente não querem mais servir a homem algum, a pessoa alguma a não ser a ela mesma e isso incomoda. Para ferir está liberdade e este domínio do próprio corpo, a forma encontrada por muitos é a ofensa, ofende-se a mulher e sua liberdade de ir e vir com a roupa que quiser, ofende-se a maneira como ela se “comporta” a maneira como encara o mundo e sua auto estima. Mina-se, à todo momento, a liberdade e o sentimento de posse, algumas vezes assim, como este homem que citei fez hoje, agora a pouco, ou também em forma velada, fazendo “barganhas” com as mulheres, com frases do tipo “se quiser um homem, não se vista assim” “puta na cama, santa na rua” “não quer nada da vida se veste como vagabunda” e por aí vai…
 É importante lembrar que ao homem é dada toda a liberdade e espaços, ele pode e deve se relacionar com o maior número de mulheres possível e ganha prêmios por isso, ele pode e deve, referir-se a estas mesmas mulheres como vagabundas por terem admitido os mesmos desejos que ele tem, se o sexo é feito a dois, por duas pessoas (ou mais) como só um dos lados é condenado por querer, por estar ali, por fazer? Como pode ele, definir quem são as mulheres “certas” de acordo com a facilidade que transam com ele, e ele nunca é considerado errado? 
O fato é, o corpo é meu, o corpo é dela, de quem a gente quiser e não um local público, onde todos devem palpitar, opinar, cercear e condenar. Se um homem se importar mais com as roupas que a mulher usa na rua do que com seu bem estar e sua inteligência, o problema não está nela, está nele. Ser mulher é pegar trem e ficar com medo quando o vagão está muito vazio. Ser mulher é entrar ainda assim neste vagão, e um homem sentar – se ao seu lado, mesmo com muitos bancos totalmente vazios, e te encarar de forma estranha, com as mãos nas calças.
Sabendo do meu direito a liberdade, pedi licença a este senhor, me levantei e troquei de lugar. Não sou obrigada

Quem escreve

Josiane, mas prefiro ser chamada de Josi, estudante de letras e amante das milhões de formas que estas tem de juntar-se e assim, me faço poesia, as vezes crítica, as vezes observação, só pelo prazer e o alívio que a escrita traz.

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