Glossário feminista

Minhas flores e meus espinhos, a alguns dias eu estava participando de uma conversa sobre as diversas formas usadas por machista para atacar as mulheres. O assunto estava tomando um caminho legal, repleto de bons argumentos e tal, até que a palavra misógino foi incluída em um dos comentários, pois logo em seguida uma garota que participava da conversa perguntou: “O que é isso?”.
Eu levei um susto quando percebi a duvida dela, porque ela se declarava feminista com veemência, mas ficou claro que ela não sabia exatamente a abrangência dessa luta.
OBVIO que ninguém tem a obrigação de saber de tudo, mas para opinar sobre determinado assunto é necessário, primeiramente,  possuir um conhecimento prévio do mesmo. E é por isso que estou aqui hoje.
Está surgindo aqui no blog a coluna ‘Entendendo o feminismo’, e vamos inicia-la com um glossário para as leigas e leigos no assunto, um dicionário completo (o mais completo possível) para quem tem alguma duvida sobre esse universo ou quer dar o primeiro passo para se tornar uma miga emponderada.
Vamos lá?
FEMINISMO: é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero.
MISANDRIA: é o ódio, aversão, preconceito ou desprezo a pessoas do sexo masculino.
MISOGINIA: ódio ou aversão às mulheres.
SEXISMO: se refere à discriminações sexuais e conjuntos de idéias ou ações que privilegiam um indivíduo de determinado sexo (gênero ou orientação sexual).
FILANDRIA: admiração ou amor pelo sexo masculino. Paixão por homens e carinho especial pelo sexo masculino. Gostar de estar na companhia masculina, achar belo o corpo do homem, assim como todo o universo masculino.
SORORIDADE: união poderosa e transformadora entre mulheres, que visa romper com o estigma de rivalidade. A sororidade é importante para fortalecer a ação coletiva do movimento feminista.
EMPODERAMENTO: (conscientização) é um processo de aquisição de ferramentas para combater nossas opressões. É quando nos tornamos mais fortes para desconstruir os papéis que nos impõem e para lutar por equidade.
MACHISMO: é o comportamento, expresso por opiniões e atitudes, de um indivíduo que recusa a igualdade de direitos e deveres entre os gêneros sexuais, favorecendo e enaltecendo o sexo masculino sobre o feminino. Tipo de opressão que a sociedade patriarcal produz contra mulheres. Ele se expressa de diversas formas, das mais evidentes até as mais sutis.
PATRIARCADO: Sistema social baseado no controle dos machos sobre as fêmeas, em que estes ocupam uma posição central. O patriarcado é o sistema no qual o machismo se baseia – é sob ele que se conformaram historicamente os privilégios da classe masculina em relação à classe de mulheres.

FEMINISMO RADICAL (radfem): é uma perspectiva dentro do feminismo que exige um reordenamento radical da sociedade em que a supremacia masculina é eliminada em todos os contextos sociais e econômicos. As feministas radicais procuram abolir o patriarcado, papéis tradicionais de gênero e  acreditam em um comportamento de gênero condicionado.

FEMINISMO INTERSECCIONAL: defende a intersecção entre diversas opressões: de gênero, raça e classe social.
EQUIDADE: igualdade, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos.
MANSPLAINING: o termo, que vem do inglês, quer dizer algo como “explicação masculina”. Você logo vai se lembrar de algum exemplo de um conhecido seu, homem, tentando te explicar um assunto que você provavelmente domina mais que ele.
MANTERRUPTING: do inglês “interrupção masculina”, é quando um homem constantemente interrompe uma mulher falando.
GASLIGHTING: que é quando uma pessoa tenta te convencer de que você está louca, paranoica e, com isso, invalidar seus sentimentos. O gaslighting está geralmente associado ao relacionamento abusivo, sendo utilizado pelo parceiro para o controle da mulher.
SLUTSHAMING: quando julgamos uma mulher por ter comportamentos “de vadia”, o que quer que isso signifique. Basicamente, é quando se repudia uma mulher por dispor de sua sexualidade e de seu corpo livremente.

TOKEN: tokenizar é quando uma pessoa, acusada de alguma opressão, já vem com a resposta pronta “Mas eu até tenho amigos que são…”, como uma tentativa de invalidar a crítica que está recebendo.

SILENCIAMENTO: no contexto feminista, é o apagamento da voz das mulheres, através de diversos artifícios, como descreditar suas opiniões ou mesmo através de violência.

REPRESENTATIVIDADE: ato de representar uma minoria e trazer à ela força e formas de seguir com a sua luta.

PROTAGONISMO: relaciona-se à ideia de que a principal voz dentro do feminismo deve ser daquelas a quem ele mais atende, ou seja, as mulheres.

TERF: sigla para “Trans Exclusionary Radical Feminists” (inglês para “Feministas Radicais Trans-Excludentes”). O que isso significa? A ênfase é na exclusão – um ato intencional – e a implicação é que isso é baseado em preconceito e na discriminação propositada.

FEMINISMO LIBERAL (libfem): possui foco na livre iniciativa, que é individual. Para o feminismo liberal, portanto, agimos de acordo com o livre-arbítrio. Exemplos da ideologia das libfem: quando a mulher “consente” não há estupro, quando a mulher intervém no próprio corpo aproximando-o do padrão de beleza hegemônico ela está exercendo liberdade de escolha sobre si.

Ufa! É muita coisa não é? Mas ainda não acabou, nos próximos posts iremos nos aprofundar mais nesses termos para que possamos entende-los melhor. Faremos postagens específicas sobre cada vertente do feminismo e sobre como podemos ser atingidas direta e indiretamente por tudo isso.
Ficou com dúvida sobre alguma coisa ou percebeu que me esqueci de algo? Então deixa nos comentários, assim você ajudara a elevar cada vez mais os nossos conhecimentos.
Beijos e até a próxima.
Alessandra Lamunier

Alessandra Lamunier

Absolutamente amadora. Se existir um meio termo entre saber ou não fazer algo, eu estou nele. Contudo, sou cheia de ideias(ais) e, sabendo ou não a melhor forma de me expressar, fico feliz eu transmiti-las a quem interessar.
Alessandra Lamunier

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Comentários

comentários

13 comments

  1. Brena Lacerda

    Nossa, que post util! Estou compartilhando, com certeza. Lindo demais você compartilhar conhecimento para ajudar as irmãs a entenderem e abraçarem a luta. Muito obrigada <3

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  2. Lívia Santana

    Nossa, acredita que eu não sabia certinho o que significava misógino?! Adorei esse post, utilidade pública!!! Não sabia de metade dos termos e isso me ajudou bastante!

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  3. Thainá Santos

    Adorei as explicações, mas você sabe dizer se existe uma explicação para o feminismo no Brasil usar tantos termos em inglês? Eu acho que isso pode ser um pouco prejudicial.

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  4. Bruna Della

    Mulher mas que tiro foi esse hein?
    Foi simples, de fácil entendimento e bem objetivo. Algumas palavras eu não tinha tanta certeza do qur eram e você me esclafeceu muito.

    Por mais posts assim nessa categoria de Entender o Feminismo e por mais blogueiras que falem sobre isso.

    Abraços de luz

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  5. Alessandra Lamunier

    Eu que agradeço Brena. Isso vale a pena porque minas como você valorizam esse conhecimento. Bjos

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  6. Alessandra Lamunier

    Vou adorar continuar esse tema agora que sei o quando está sendo útil. Obrigada Lívia.

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  7. Alessandra Lamunier

    Pois é Thaína. Eu, particularmente, discorto desse uso das palavras em inglês. Vamos falar mais dessa parte também nos posts seguintes.

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  8. Alessandra Lamunier

    Fico feliz que tenha gostado Bruna. Muito obrigada.
    Vou continuar falando muito sobre tudo isso.

    Muitos abraços de luz em você também.

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  9. Lethycia Dias

    Olá! Estou aqui explorando o seu blog, depois daquele post maravilhoso sobre a Simone de Beauvoir. É muito importante a explicação desses termos, principalmente aqueles em inglês. Eu não sabia o que era Token, e não tinham muita ideia do que é Feminismo Liberal, e gostei muito. Continue com essa coluna! Estou adorando o blog.

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  10. Alessandra Lamunier

    Obrigada Lethycia. Vamos continuar e nos aprofundar ainda mais nos próximos posts. Será sempre bem vinda para aprendermos juntas. E se tiver curiosidade sobre alguma coisa é só falar.

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  11. Eloisa Marina

    Não é que feminismo radical não acredita em escolha própria, não é bem assim.

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  12. Alessandra Lamunier

    Oi Eloisa. Sei que está muito superficial essa explicação, mas está cumprindo uma função de apenas dar uma leve noção. Iremos fazer um texto apenas sobre o Feminismo radical e nele explicar tudo, de forma coerente e completa. Seria muito importante para mim se você quisesse contribuir com esse texto. Caso queira, é só enviar uma mensagem lá na nossa página no facebook, ok? https://www.facebook.com/projetoelasporelas
    Obrigada

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