Mana, não seja tóxica

Com meus alguns, muitos, anos fazendo parte do movimento feminista venho abrir meu coração nesse post

(Imagem- Giselle Quinto)

A gente já é tão fodida, abandonada, julgada, sexualizada, diminuída, que eu não entendo o porque raios nós mulheres temos tanta dificuldade em alavancar outras mulheres.

Sinceramente, vejo mulheres extremamente desconstruídas, com inteligencias descomunais, julgando e diminuindo o problema, conquistas e vida de outras mulheres e isso machuca. O fato é, a desconstrução é eterna! Nós não estamos completamente prontas por muitas vezes para simplesmente quebrar as correntes de uma sociedade patriarcal que nos educou para sermos inimigas, mas devemos nos exercitar diariamente para fortalecer a nossa luta, as próximas e nós mesmas.

Eu, Bruna, entendo e reconheço que meus problemas são extremamente banais perante a construção social vigente, assim como os de muitas manas que vivem no meu circulo e fora dele, mas eu me solidarizo e tento fortalecer a outra sem julgamentos, apenas para vê-la forte para lutar ao meu lado, e eu gostaria de receber o mesmo! E vou além, alimento a utopia de uma sociedade sem a minima rivalidade feminina, pois sinceramente na minha concepção não há nada mais absurdo e contraditório para se alimentar no mundo atual.

Mana, não seja tóxica! seja amiga, seja solidária, não se compare com a mina que conquistou algo grande mas fique feliz por existir uma mulher foda pra caralho que conquistou algo que seria impossível se não fosse por muita luta e insistência, fique feliz por ser uma mulher!

A corrente que acorrenta a sua amiga é a mesma que te acorrenta e isso INDEPENDE do que você considera ser ou não um problema ou solução! dar as mãos não custa nada, a sororiedade nunca foi tão necessária, e ela pode começar no teu circulo social, portanto não seja uma escrota metida a rainha sem defeitos e crie a consciência de que o feminismo não é uma série de publicações de “Grl power” nas redes sociais! Aja, e DE FATO fortaleça a luta de uma mulher.

Amor

Amor é só um sentimento

O nosso grande erro é idealizar o amor. E isso não só diminui a gente perante o amor, como diminui o amor perante a gente.

Temos a mania de achar que o amor se basta e que ele é uma espécie de elemento inigualável em todo o universo. Que o amor é uma divindade que não apenas deve ser cultuada, como que também exige uma série de dogmas a serem seguidos.

Aí nós achamos que temos que fazer as coisas por amor. Largar tudo por amor. Correr atrás do amor. Não desistir do amor. E só por ele ser o que é, e não pelo que ele faz pela gente. Ao mesmo tempo, os que “não ligam pro amor”, os ateus e agnósticos do amor, acham que a gente não tem que fazer nada por ele.

E é engraçado como, ao mesmo tempo que essa questão pode ser tão complexa, a resposta pode ser tão simples… Porque a gente só precisa colocar o amor no seu lugar de um sentimento. E sentimento por sentimento, faz muito mais sentido fazer as coisas por felicidade.

Largar tudo pra ficar com alguém porque aquela pessoa te faz mais feliz que aquele “tudo”. Correr atrás da felicidade ao lado de alguém. Não desistir de ser feliz. Mas também deixar um amor ir porque ele não traz mais felicidade.

E apesar de parecer, isso não significa só trocar palavras e seguir agindo do mesmo jeito. Mas fazer uma troca completa na forma como a gente encara nossas escolhas e ações. E principalmente na forma que a gente vê o amor.

O amor é um sentimento forte e importante, sim, assim como a amizade, a empatia, a tolerância e, claro, a felicidade. Mas ele definitivamente não é uma divindade. Não é uma seita. Não é um culto. Não precisamos fazer nada “por amor” nem deixar de fazer nada porque “não preciso do amor”. E a gente tendo tanta coisa que deixa a nossa vida tão complicada, poderíamos ter pelo menos essa complicação a menos.

Pseudo-gaia

Existem várias maneiras de virar o mundo de alguém de ponta cabeça, ter um filho pode estar no topo da lista de muitas pessoas.

Nunca foi o meu caso.

Sou uma feminista vadia, odiadora de homens, apoiadora de assistência médica em abortos (cof cof itonia cof cof)… e eu sempre quis ser mãe.

Então a minha única reação possível seriam sorrisos durante nove meses.
Vou te dizer uma coisa amiga, minha gravidez foi tranquila.

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Drabble: Angústia

Drabble: Angústia

Quando ainda era muito pequena, aprendera nos livros uma palavra que passou a usar para todos os sentimentos que não sabia explicar: angústia. Mesmo com a descoberta, às vezes ela ainda não se fazia entender. Afinal de contas, não deixava de ser um termo avançado para sua idade, e seus coleguinhas não eram ratos de biblioteca como ela para conhecê-lo.

Demorou a perceber que, no entanto, se enganara por todo esse tempo. Angústia não era um único nome para todos os sentimentos inexplicáveis. E sim o que vivenciava ao não conseguir entender as emoções que cresciam nela, sem explicação.

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Libertando-me

Estava pensando em plena véspera de aniversário, que muito do meu crescimento emergiu dos meus maiores desalentos. Nos meus desesperados momentos de solidão que eu aprendi a lidar com o jeitinho que a vida tem de nos fazer crescer.

Músicas tristes, festas, álcool, amores tapa buraco, orações milagrosas, livros de autoajuda. Nada disso, absolutamente nada, me fez evoluir tanto quanto o meu próprio caos pessoal. O meu próprio caos fez com que eu aprendesse o que é a liberdade em sua essência.
Quando tinha 15 anos achava que a liberdade era sair a hora que eu quisesse, aos 18 achei que era apenas me sustentar, agora vejo a liberdade como um estado de alma e não físico.

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Apaixone-se por Rupi Kaur

A poesia construída através dos traumas existenciais do cotidiano trouxe  sucesso a escritora

Apesar de ser mais reconhecida por seus versos românticos, sentimentais, muitas vezes ligados à dores de amor Rupi também escreve sobre maternidade, machismo, violência com a delicadeza poética facilitando o reconhecimento por si própria e da sociedade em que vivemos.
Tive contato com a obra da  indiana no final de um relacionamento conturbado e apesar de assumir que realmente sua poética tem pontos clichês, também digo que talvez nunca ninguém tenha traduzido tão bem os sentimentos e o cotidiano como ela fez.

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Microcosmos

Drabble: Microcosmos

Depois de um longo período explorando o cosmos, chegara a hora de voltar à Terra. O prazer de saltar entre corpos celestes já não mais abafava a saudade de casa.

Tirou o capacete ainda no quintal e colocou-o debaixo do braço para abrir a porta de entrada. Limpou o pó de estrelas dos pés antes de entrar. A mãe não ia gostar se fizesse sujeira.

Mesmo recebida com um abraço quente como uma supernova e um sorriso brilhante como um sol, não pôde evitar sentir certa melancolia. Gostava muito do espaço, afinal. Mas tudo bem: amanhã ela voltaria para lá.

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Corpo em cena

Sinto meu corpo preso na maré de sentimentos.
O equilíbrio que busco a longo prazo me puxa para o fundo do mar.
A âncora é pesada, repleta de durezas e cobranças.

Autopunição
Desrespeito
Intolerância
Se eu deixar, afundo.
Eu já quis.

Não vou mentir, o desespero bate.
A ansiedade e autocobrança em fazer dar certo me imundam.
Eu quero prosperar e alcançar o que acredito,
mas as ondas me puxam com tanta força que eu ainda não consigo domá-las.

Doi.

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Série One Day at a Time

Dica de série imperdível: One Day at a Time

Quando o assunto é engajamento social e político, a maioria das produções audiovisuais opta por uma ou duas pautas a serem abordadas, muitas vezes para evitar o risco (real) de se criar algo forçado ou raso. São poucas as obras que conseguem trazer múltiplos assuntos relevantes de forma orgânica e bem trabalhada. One Day at a Time (Netflix, 2017) é uma delas.

A série é um reboot da sitcom de mesmo nome exibida entre 1975 e 1984, que relatava o dia-a-dia de uma mãe solteira (vivida por Bonnie Franklin) criando suas duas filhas (Mackenzie Phillips e Valerie Bertinelli) em Indianápolis. A nova versão transformou a família em cubano-americana, com Justina Machado (Six Feet Under) como Penelope, a mãe, Isabella Gomez e Todd Grinnell como os filhos e Rita Moreno (a Anita de West Side Story e ganhadora dos EGOT) como a “abuelita” Lydia.

Série One Day at a Time
Os elencos da série original e do reboot, respectivamente

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Carta para uma versão mais evoluída de mim mesma

Poderia começar dizendo “Olá!”, mas ambas sabemos que eu não falo “olá”. Eu mal falo “oi”, apesar de não saber para qual lado pode ocorrer essa evolução, né. Hoje, nesse momento, as coisas estão em processo, como sempre. Talvez essa seja a hora que eu, ou você, consiga ver que eu posso fazer melhor do que isso, em alguns aspectos, e começar a arrumar a casa daqui.

(Será que daqui 5 anos vou estar morando em um apartamento? Espero que não, mas, se tiver, nada contra.)

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