É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica?

Helena sabe o que quer, mas não vê como pesar esse custo. Ela vai atrás, mas quem a segue e distancia ainda mais? Se vê cercada de pontos finais, algumas reticências e se aborrece com a quebra da continuidade. Helena quer. O quê? Viver(se). Ser. Clarear a vista nublada da miopia emocional dessa avenida de cruzamentos, semáforos e ladeiras. Mas então há subidas e descidas? E o topo, quanto dura? O verde apagou… Tudo agora é vermelho. O sangue pula das gengivas de Helena quando escova os dentes. É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica? Tem tártaro nesse molho. Bom… é forte mas doce. Como Helena. Um toque azedo também, aquele azedinho na medida que faz falta no meio de tanto açúcar refinado. Amarelo seria o equilíbrio? Helena não clareia a mente para todos nem para si, sequer consegue clarear seus dentes. Não há retorno para o que foi nem desejo para voltar-se. Ela só segue a avenida a pé, sentindo a leveza do seu corpo limpar tanto vermelho. Helena não busca o branco. Espera por uma nova paleta de cor.

Para as Marias

Eu vejo o feminismo gourmetizado, polido e bilíngue nas discussões em redes sociais, grupos, sites, blogs, política, mídias.
Eu vejo mulheres, em sua maioria, jovens, engajadas, sedentas, impacientes, com fome do agora e do já, cansadas das imposições de um patriarcado machista.
Eu vejo campanhas, hashtags, protestos, porque machistas não passarão.
Eu observo mulheres inteligentes, cultas, fortes, politizadas, exigentes.
Vejo também mulheres alheias. Que não acreditam na causa, na luta, desnecessária elas dizem, coisa de desocupada, coisa de puta.
Vejo mulheres que se atacam, se destroem, competem, se anulam, se matam, morrem, sofrem, desunião.
Mas, elas não me preocupam. Escolhas, elas tiveram.
Me preocupam mais as Marias.
Me chame de seletiva, sim, talvez seja.
Mas as Marias, essas eu tenho quase uma insônia ao lembrá-las.
As Marias, que são de outras gerações, não são bilíngues, nem politizadas, quiçá alfabetizadas.
As Marias, que nunca ouviram Elza Soares ou Pitty, nem Karol Konka, Mulamba ou Elis.
As Marias, que desconhecem o significado de vontade, de prazer, de não.
As Marias, que a única opção foi o sim, o casamento, o marido provedor, que jurou amar e cuidar, até o fim.
As Marias, que só aprenderam as receitas da vovó, a dizer sim Senhor, nunca questionar e servir sempre.
As Marias, que conheceram o amor/ dor, que são apontadas como culpadas pela infidelidade ou infelicidade. Aquelas que a salvação é a novela das 8, a globo, a bíblia, a missa de domingo, o terço na mão, a prece.
As Marias que não descansam, de pés inchados, que sobem e descem ladeiras, que as mãos estão calejadas do fogo, que o serviço não tem fim. E nem valor.
As Marias que não sabem quem é Simone de Beauvoir. Nem Frida. Nem o atual Girl Power.
E por essas Marias, eu luto, pacificamente.
As vezes só emprestando meus ouvidos ao teu choro, ou meu carinho ao teu rosto marcado.
Por essas Marias eu falo português mal falado, mal conjugado, simplista.
Por elas permaneço, resisto, persisto, canto, protesto, sacrifício.
Por elas tenho fé, esperança. Esperança que as Marias das periferias, ladeiras, cortiços, roças, sertões, tenham força, voz, e uma nova história, uma chance, escolha.
Às Marias eu desejo amor genuíno, paz, e que cesse sua dor.

Tomo a liberdade de usar meu espaço nesta coluna, onde explicamos e falamos sobre o feminismo para lembrar das milhares de mulheres humildes, às vezes sem instrução e sem acesso à informação, sem a liberdade e oportunidade que muitas de nós temos. Lembrarmos que antes de julgar uma mulher é preciso calçar seus chinelos, andar por seus caminhos, vestir a sua pele.
É maravilhoso que podemos ter entendimento sobre a causa, termos, livros, pautas. Mas há mulheres presas em uma realidade aquém à nossa.
O feminismo é coletivo, uníssono, e para todas. Até para as que não o querem.
Segregação não é o caminho para a libertação das mulheres.
Seremos mais fortes quando descobrirmos que juntas podemos muito mais.

Liberdade de escrita

Tudo pode ser descrito

Escrito

Até mesmo o silêncio

         O vácuo também transpassa entre meus dedos

Atravessa o azul

Alcançando o branco

E assim nada mais é silêncio

De repente o mundo transborda sobre mim

          E tudo é música

Vento, desejo, fome, insegurança

Revista, trabalho, viagem

Ovos, animais, imagens

Sexo, raiva, fantasia

Cores, futuro, revolta

Tudo pode ser escrito

 

 

   Essa é a beleza das palavras, elas revelam tudo, me mostram tudo, amo a liberdade de escrita. Não importa quão bloqueada eu me sinta, todos os meus pensamentos podem dançar por entre meus dedos.

 

   Comecei no ensino médio, quando aproveitava pequenos intervalos para escrever o que eu sentia naquele momento. Meus escritos deveriam ficar escondidos naquela época.

 

   Trancado à 10.000.000 de chaves, mas hoje não! Tudo o que sinto eu preciso deixar bem à vista, aberto, escancarar ao mundo o que sou e penso sem temer as críticas e os risos.

 

   Hoje foi assim, um breve lampejo que pode parecer insignificante para você, mas para a Alessandra foi libertador. Então eu escrevi, me faz bem, então por quê não?

   De agora em diante, vou escrever e mostrar tudo o que vier de mim.

 

 

Continue reading “Liberdade de escrita”

Eu sou meu próprio mar

Não preciso de um marinheiro para me navegar. Quero que ele fique se for para acompanhar meu movimento.  O controle não faz parte da minha travessia, mesmo o mar entende que as ondas do meu cabelo formam seu próprio caminho. Elas se tornam. O marinheiro tentou tomar posse dessas ondas. Ele quis prendê-las num coque, deixá-las menos selvagens e mais retas. Desde quando onda forma linha?  Marinheiro que é marinheiro respeita e compreende o mar, se deixa levar.  Entende essa mansidão que logo se transforma em tempestade, que vem chegando sereno, logo expande e te abraça para o fundo. Como estar com um homem que não aprecia as ondas? Não há fórmula para domar o oceano. Ele é seu próprio domínio, sua casa, sua morada, ele também só deixa entrar quem se entrega e mergulha profundo, não importa o tamanho. Só se apaixona pelo mar quem ama sua intensidade e imprecisão. Sei da minha impulsividade e fraqueza. Sei também da minha força, minha feminilidade. Só quero que o marinheiro entenda: sou eu quem escolho minha forma. São as minhas ondas que me levam.

Elas por Elas chegou!

É bom estar de volta. Estamos com cara e espírito renovados. Durante o período de hiato, aproveitamos para resolver questões pessoais e dar um fôlego antes de retornarmos à rotina. E também trabalhamos em mudanças e aprimoramentos para tornar o projeto algo não apenas mais agradável para a gente, mas principalmente mais bacana para vocês.

Entre as novidades, estamos de roupa nova! O template que usamos agora é mais completo (o antigo, por exemplo, não tinha nem barra de busca!) e com elementos que conversam melhor com nossa proposta. A navegação é mais fácil e dinâmica, e a aparência tem mais elementos do que queríamos para o nosso cantinho.

Também estamos nos organizando para trazer um conteúdo cada vez melhor e mais diversificado pro nosso público. Por isso, vamos mergulhar de cabeça em novos e maiores projetos e formatos. Vamos nos aventurar cada vez mais em vídeo e postagens mais elaboradas, posts colaborativos, reportagens, mas sem deixar nossas raízes de lado: a literatura. Inclusive, em breve devemos ter mais uma novidade com relação a isso, mas por enquanto fica o suspense!

Além disso tudo, esperamos poder ir além desse espaço de uma URL. Vamos produzir mais conteúdo para as redes sociais, tentando não apenas aumentar o nosso alcance em números, mas principalmente em engajamento na nossa causa. Que mais e mais mulheres possam ser lidas, ouvidas e respeitadas. E, quem sabe, não possamos logo derrubar mais uma barreira, e tirar o Elas por Elas do mundo virtual?

Agrademos a paciência de todos vocês e podemos dizer de peito aperto, em alto e bom som: o Elas por Elas está de volta.

Mudar mais uma vez

Mudar mais uma vez

Somos um blog em constante transformação. Já passamos por mudanças na equipe, na plataforma, no visual, nas colunas… No início do ano, inclusive, tivemos tudo isso de uma vez. E agora é momento de mudar novamente.

Desde que viemos para o WordPress, há quase 4 meses, temos usado este template, escolhido de forma até meio descuidada. Ele, no entanto, não atende as nossas necessidades, por vários motivos. Estamos mudando para um novo, pensado com mais cautela. E que deve ter bem mais a ver com nossa proposta, além de proporcionar uma melhor experiência para o visitante.

Aproveitando a oportunidade trazida pela reforma, vamos também botar ordem na casa. Tirar uma poeira daqui, rearranjar uns móveis de lá, colocar umas plantinhas pra dar vida ao lugar… Pequenas coisas que parecem simples, mas que ajudam a dar ânimo para nós, autoras, e que esperamos que possam também motivar vocês, leitores.

É por isso que colocamos o blog oficialmente em manutenção. Ele já estava parado há um tempinho, mas trazer esse caráter formal nos dá o empurrãozinho que precisávamos para tocar logo essa transformação. Voltaremos em breve. E, como toda mudança dá um pouco de medo, que o friozinho na barriga seja um motivo a mais para voltarmos ainda mais fortes. Até mais!

por que eu ainda me lembro de você

Por que eu ainda me lembro de você?

As quintas-feiras ficaram marcadas na minha vida assim que eu comecei a usar a minha insônia para ver séries durante a madrugada, mas algumas coisas mudam. Sempre mudam. Eu me lembro de uma ligação, na quinta à noite, com a ideia de parabenizar alguém, no caso eu, por ter sobrevivido ao último ano. Eu detesto ligações (colocarei isso na minha mini biografia ali em baixo). Detesto atendê-las, detesto falar no telefone, detesto ver o celular tocando e só quero que acabe logo para eu poder voltar ao meu mundo “digitativo”, mas foi algo que me trouxe sorrisos e uma conversa longa, de quase uma hora.

Me considerando alguém adaptável, posso afirmar que sobreviver à experiência de conversar com alguém por quase uma hora, no celular se transformou em algo de orgulho. Mas eu queria mais. Infelizmente, eu queria mais. Mais risadas, mais conversas, mais coisas, mais quintas, mais comidas. Sempre achei lindo o excesso quando se trata de algo somativo, mas quando temos a certeza de que algo realmente veio para somar? Será que foi com você que eu aprendi que conexão é só a ponta de um iceberg?

Eu queria te contar sobre os meus dias, sobre as minhas dúvidas, sobre as vontades que mudaram durante o tempo e sobre as coisas que eu cogito fazer hoje, que eu jamais cogitaria um tempo atrás, mas eu não mereço alguém que defenda a conexão sem demonstrar reciprocidade e respeito ao próximo.

Sinto muito, mas eu não mereço.

O tempo me deu muitos tapas na cara mostrando que nada vale mais do que pessoas; que uma tarde com amigos vale mais do que uma semana vivendo a base de fluoxetina ou serenata; que o melhor barbitúrico que alguém pode querer é ter uma mente quieta com um coração que transborda respeito e carinho pelo próximo. E, por mais irônico que isso pareça, foi você quem me ensinou isso. Nas quintas à noite, nos domingos de manhã, nos e-mails de sexta e nas histórias de terça.

Por mais irônico que isso realmente seja, eu aprendi isso quando você foi embora e, nesse momento, me veio uma música dos anos 2000, que diz: “Te perdendo eu cresci tanto que eu não sei/ Se eu quero mais ter encontrar”.

Talvez a reciprocidade seja mais importante do que a conexão em si.

Não.

Conexão me perdoa, mas quero algo mais palpável, mais real, mais possível.

A reciprocidade é mais importante do que a conexão em si.

ceder

Ceder

Um bicho sem nenhum senso de nada abanando o rabo, balançando o rabo, babando, sacudindo. Eu-festa. Cheiro, dedo, olho, desaconselhável. Eu que sempre trava, peso, ombro doído. Eu que sempre chão agora tenho asas. Meu bem, eu preciso pousar em algum momento, mas estou acoplada ao mundo no céu. Estou fodendo. Não tomei nenhuma droga. Não bebi nenhuma gota. A garganta estava completamente seca. Um bicho com sede de boca e de barba. Um olho com sede de tudo que a vida pode pra sempre. Não consigo ser gente depois de ver de dentro o homem da minha vida.

Aline Dias

 

Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Ceder

 

Autora Convidada

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor. O texto “Ceder” integra as páginas de seu mais recente livro, “A única coisa que fere é manhã pós-amor” (2017). Assista a entrevista com a autora.

sociedade idolatra machistas

Dudu Camargo é a prova que nossa sociedade idolatra machistas

Antes de tudo, uma contextualização: no dia 18/06, foi ao ar uma edição do Programa Silvio Santos, com participação de Maisa e Dudu Camargo no Jogo das 3 Pistas. Na ocasião, o apresentador começou a fazer “brincadeiras”, dizendo que eles deveriam formar um casal, já que ambos estavam solteiros. Além de dizer que o rapaz não fazia seu tipo, a insistência de Silvio a levou a criticar o rapaz e chamá-lo de engessado. Durante o quadro, as brincadeiras e as provocações se seguiram, e ainda com o ingresso de Dudu em certo ponto.

sociedade idolatra machistas
Incentivado por Silvio, Dudu dançou em torno de Maisa para provocá-la (Imagem: reprodução/internet)

Alguns dias depois, Dudu Camargo foi ao programa da Sônia Abrão, que não apenas defendeu o comportamento do apresentador, como rechaçou as críticas de Maisa. Nessa ocasião, inclusive, Dudu disse que convidou a garota para dormir com ele. E a mesma que criticou a “grosseria” de Maisa, gargalhou com um claro episódio de assédio. Lembrando ainda que Maisa é menor de idade (tem recém completados 15 anos) e Dudu já é um adulto de 19.

Até selinho o rapaz recebeu de Sônia (Imagem: reprodução/internet)

A novela se seguiu. Durante a última gravação de seu programa, Silvio Santos convidou Maisa para participar do Jogo dos 3 Pontinhos. E achou uma boa ideia fazer uma “surpresa” para a garota, levando Dudu Camargo sem avisar a menina. Sem suportar mais humilhações, assédio e provocações, Maisa teria abandonado o palco do programa aos prantos.

E no meio de toda essa polêmica, ainda surgiu nas redes sociais um relato de Robert Oliveira, que se diz ex-namorado de Dudu Camargo. O rapaz denunciava no texto que eles tiveram um relacionamento permeado por abusos psicológicos, físicos e sexuais. A assessoria de Dudu insiste que o conteúdo da postagem é falsa e que “Dudu é hétero”, bem como pretende processar Robert, ainda que haja na web fotos dos dois juntos e um vídeo em que eles dão um selinho.

Robert Oliveira e Dudu Camargo (Imagem: reprodução/internet)

Continuando sobre a repercussão que Dudu recebeu com tudo isso. O rapaz participou, no último domingo (25/06), do programa Pânico na Band. Quem está familiarizado com seu conteúdo já consegue imaginar o tipo de cena que ele protagonizou. Não faço a menor questão de incluir esse tipo de imagem aqui, então quem tiver interesse pode ver neste link (Fonte: Diva Depressão). Já na segunda-feira seguinte (26), participou do talk show The Noite, apresentado por Danilo Gentili.

Para entender o que tudo isso significa, é muito importante fazer um exercício de distanciamento. Primeiro: nas redes sociais, Maisa recebeu um amplo apoio na forma como tratou Silvio Santos e Dudu Camargo. Se nos limitarmos a considerar esse espaço de amostra da reação do público, podemos ter uma interpretação favorável à garota. Mas mesmo esse apoio, no entanto, não foi unânime: assim como Sonia Abrão, muitos a consideraram grossa e/ou exagerada. Mesmo no ambiente em que recebeu o maior suporte, Maisa ainda encontrou opositores.

Segundo: numa primeira vista, a repercussão oferecida a Dudu aparenta vir apenas de seus semelhantes. Os programas onde ele teve palco são conhecidos pelo seu machismo escrachado (no caso do Pânico e The Noite), sua toxicidade e o desprezo pela dignidade humana. Mas mesmo nesses ambientes, é importante refletir sobre o que significa toda essa visibilidade que ele vem recebendo. E o que a audiência desses programas diz não apenas sobre a TV brasileira, como sobre o seu público.

A emissora de Silvio Santos constantemente comemora seu espaço garantido nas televisões brasileiras (muitas vezes apoiado por polêmicas)

Silvio Santos continuou se aproveitando da situação que beneficiava Dudu Camargo, contra o bem estar de Maisa. Importante abrir um parêntese para algo importante: a atitude do apresentador já no primeiro programa era errada de inúmeras formas. Insinuações e “brincadeiras” sobre relacionamentos podem ser meramente inconvenientes, mas a forma como ele as fez (como se o temperamento da garota fosse justificado por “sua falta de namorado”) já era machista por si só. E fazer esse tipo de brincadeira com uma menina de apenas 15 anos, dizendo inclusive que já estava na hora dela casar e pensar em ter filhos (!!!), é absurdo.

Retomando, sabemos que Silvio Santos gosta de alimentar sua audiência com boas doses de polêmica (não é de se espantar que o The Noite seja de sua emissora). De certo modo já era de se esperar algum tipo de atitude como a tomada em sua última gravação. Ele é, afinal, não apenas um dos que têm todo o caráter para dar palco para um indivíduo como Dudu Camargo, como aquele que o deu desde o início. O pseudo-jornalista (já que não é nem formado, nem competente) apresenta o telejornal sensacionalista Primeiro Impacto, bem adequado para o seu perfil caricato. Telejornal esse, do SBT.

Imagem: reprodução/internet

SBT esse, de Silvio Santos. O mesmo Silvio Santos que submeteu Maisa a tamanho assédio e humilhação. O mesmo Silvio Santos que levou Dudu Camargo mais uma vez a seu programa para aumentar a humilhação da menina. Que permite programas como o The Noite. E dono da emissora com a segunda maior audiência do Brasil. Do programa vice de audiência em seu horário – inclusive no domingo 18/06.

Não só é importante ver todos os envolvidos diretos nessa situação, como os indiretos. Essa audiência toda não é coisa de nicho. Nichos não sustentam por muito tempo – muito menos com tanto alcance – toda essa repercussão positiva. O problema é geral, e denuncia algo grave sobre nossa sociedade: ela não é apenas machista, como aplaude o machismo.

PS: E ainda é curioso que a idade justifique tanto as besteiras que Dudu (jovem demais) e Silvio Santos (velho demais) fazem. Mas não protege Maisa em instante algum. Nem do que passou, nem das críticas por sua suposta “grosseria”.

O Jardim de ossos

O Jardim de Ossos, Tess Gerritsen

Sinopse

Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente.

A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.

O ano é 1830. O jovem estudante de medicina Norris Marshall é o principal suspeito das atrocidades cometidas pelo Estripador de West End. Na companhia do amigo Oliver e da imigrante irlandesa Rose, Norris parte em busca do homem mais perigoso de Boston, a fim de provar a própria inocência, visitando desde lúgubres cemitérios e salas de necropsia até elegantes mansões.
Separadas por quase dois séculos, as duas histórias se desenvolvem de forma precisa e instigante, conduzindo o leitor a um final tão chocante quanto engenhosamente concebido.

Título: O jardim de ossos
Autor (a): Tess Gerritsen
Editora: Record
Páginas: 447
Ano: 2009


Quem gosta de suspense médico, precisa conhecer os livros da Tess Gerritsen. Ela era médica, mas abandonou sua carreira para se dedicar completamente a vida de escritora. Jardim de ossos foi o primeiro livro que li dela e me apaixonei completamente.

O livro trata duas histórias, cada uma ambientada em anos (séculos) diferentes. Nos capítulos que tratam os dias atuais, conhecemos a professora Julia Hamill, que após um divórcio, compra uma casa nova e se muda, em uma tentativa de recomeçar sua vida. Enquanto trabalhava em seu novo jardim ela acaba desenterrando um crânio. Ao descobrir que essa cova é de meados dos ano de 1800, ela se une a familiares da antiga moradora de sua casa para encontrar respostas. Em sua busca, ela encontra cartas que a levam ao nosso segundo personagem: Norris Marshall.

Norris é um fazendeiro, estudante de medicina da cidade de Boston no ano de 1830, ele também é suspeito de ser um serial killer. Tentando se misturar ao seu novo mundo da faculdade, rodeado por pessoas de classe média alta e correndo o risco de perder sua bolsa de estudos, ele também quer respostas. Então pede ajuda a Oliver e Rose, que é perseguida por uma misteriosa pessoa, para encontrar o verdadeiro assassino.

As duas histórias são cheias de tramas, mistérios e vai nos prendendo a cada página. Sem falar em como você se espanta com a medicina do século XIX, é assustador a forma com os pacientes eram tratados e a maneira como conseguiam os corpos para estudos.

Eu terminei de ler em dois dias, porque queria muito saber o que vinha depois. E esse depois é sempre muito bom, sempre uma surpresa, tanto que se eu contar mais do que isso estaria dando muitos spoilers. 

Tess Gerritsen (reprodução/Google)

Tess Gerritsen escreve muito bem, a forma como ela une as duas épocas é perfeita e em momento algum você estranha. É uma leitura simples, direta, envolvente e você consegue enxergar cada cena em sua mente. Acredito que você vai querer conhecer muitos outros livros dela e espero que seja tão gratificante quanto foi pra mim.

Se ficou afim de ler, pode clicar aqui para comprar.

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